quarta-feira, 23 de julho de 2008

A ÉTICA NAS NOVELAS DA GLOBO


Saturno devorando seu filho - 1820-1823
Francisco Goya


Andei analisando um pouco as novelas da Globo, sobretudo das 20 h. Da reflexão eis a crônica:

A vida do homem consiste numa milícia conta a malícia do homem”
(Baltasar Gracián – Filósofo Espanhol)


A grande escritora cearense Raquel de Queiroz falando de sua infância e juventude declarava que uma das diversões preferidas da família, à noite, era ler romances. O mesmo dizia José de Alencar que se tornou famoso com sua obra O Guarani, publicada capítulo por capítulo em jornais do Rio de Janeiro, fazendo tal sucesso que os capítulos eram lidos à luz de lampiões, por grupos de pessoas nas praças do Rio. Com a invenção do rádio, tal costume deu lugar às rádios-novelas, que se tornaram febres nacionais, acabando por serem substituídas pelas novelas televisivas, de sucesso estupendo na cultura brasileira.

Ninguém pode negar a importância de uma Odisséia, de uma antígona, obras monumentais da cultura grega, pelo que podem ensinar, além de divertir. O mesmo vale para Hamlet, de Shakespeare, Dom Quixote, de Cervantes, Os Miseráveis, de Victor Hugo, Dom Casmurro, de Machado de Assis e tantas outras obras. Mas, no campo ético, que contribuição, pode dar as novelas das 20h da Globo, herdeira ameaçada pela Record da tradição das rádios-novelas? Bom dizer que ética está ligado ao que é bom para todos, à moral, ao bem, ao bom caráter.

Na antepenúltima novela: o par principal e os vencedores da preferência nacional foi o casal de pilantras da Novela, interpretados por Wagner Moura e Camila Pitanga. Ele um estelionatário, com tendência assassina, ela prostituta escandalosa, analfabeta e sua cúmplice.

Na penúltima novela, a trama centrou-se nos personagens mais imorais da novela: Juvenal Antena, um gângster moderno, um coronel de favelas, com exército particular. Ferraço, empresário estelionatário, que teve até direito ao perdão, pata terminar com a mocinha.

Na última novela, ainda em cartaz, A Favorita, as atrizes que fazem os papéis principais, Patrícia Pillar e Cláudia Raia, utilizam de todas as táticas criminosas numa guerra pessoal, que gira em torno da vingança barata. Cercadas de outros personagens não menos lúgubres: O Silveirinha uma espécie de mordomo, especialista em golpes baixos, sem falar nos pilantras coadjuvantes. Há ainda um repórter idiota, um falso ecologista e o Tarcísio Meira que é um sindicalista, sem sindicato e sem categoria de sua base sindical.

ONDE ESTÃO OS PERSONAGENS QUE PODEM TRANSMITIR A IDÉIA DE ÉTICA ? DE JUSTIÇA ? DE VALORES ? Não existem. Não se sabe se pelo fato da novela ser um retrato do Brasil, se o Brasil em parte ser produto da novela ou se o Brasil e a novela das 20h, montanha abaixo, transformam-se numa avalanche de lama, onde a maior vítima realmente é a ética.

De uma coisa podemos ter certeza: Nenhuma das 03 últimas novelas da Globo será um clássico da humanidade como obra audiovisual. Ainda bem ! Menos Mal ! Roque Santeiro paira como exemplo de novela que divertiu, sem apelar, debatendo temas profundos como a religião e a política. O mesmo se pode dizer com séries como o Bem Amado. Fica uma pergunta no ar: SERÁ QUE NO BRASIL SÓ TEM LADRÕES, PICARETAS, PROSTITUTAS, DROGADOS, CORRUPTOS,EMPRESÁRIOS DESONESTOS, CANALHAS, MENTIROSOS........ ???

Um comentário:

Girl disse...

Concordo, com o Dr. Valdecy, as novelas hoje em dia só falam de vingança, crueldade, ira essas qualidades não precisam ser vistas em novelas, temos uma novela real.
A ética deveria ser mostrado com muito mais frequência, do que com os outros assuntos...

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