segunda-feira, 7 de junho de 2010

As pessoas ideais para Aristóteles e Nietzsche Qual seria um modelo ideal de pessoa?



A humanidade ao longo de toda a sua história tem projetado sociedades ideais, lugares ideais, sempre na busca da FELICIDADE TOTAL. As grandes utopias são uma prova disso: A Cidade do Sol, Nova Atlântida, O Eldorado, Shangri-la, Maracangalha, Pasárgada... A bíblia criou 10 mandamentos, a Declaração Universal dos Direitos Humanos cria direitos fundamentais, que se seguidos, buscam a melhoria do mundo para os seres humanos. Sobretudo o mundo social, relação de pessoas entre pessoas e pessoas e o Estado. MAS UMA PERGUNTA SE FAZ NECESSÁRIA: é possível haver um mundo ideal, sem antes as pessoas serem pessoas ideais?

Então, encontraremos a descrição das pessoas perfeitas na filosofia. Fiquemos entre dois grande filósofos, Aristóteles e Nietzsche, que esculpiram, através das palavras, o q1ue julgavam pessoais ideais.

Comecemos por Aristóteles, nascido na Grécia, há cerca de 2.400 anos atrás. Assim ele imaginava a pessoa perfeita:

Ele não se expõe desnecessariamente ao perigo, uma vez que são poucas as coisas com que se preocupa o suficiente; mais está disposto, nas grandes crises, a dar até a vida sabendo que em certas condições não vale a pena viver. Está disposto a servir aos homens, embora se envergonhe quando o servem. Fazer um favor é sinal de superioridade; receber um favor é sinal de subordinação... Ele não toma parte em manifestações publicas (...) É franco quando a suas antipatias e preferências, fala e age com franqueza, devido a seu desprezo por homens e coisas (...) Nunca se deixa tomar de admiração, já que a seus olhos nada é excelente. Não consegue viver com complacência para com terceiros, a menos que se trate de um amigo; a complacência é a característica de em escravo. (...) Nunca tem maldade e sempre esquece e passa por cima das injustiças. (...) Não gosta de falar. (...) Não lhe preocupa o fato de que deve ser elogiado ou que outros devam ser censurados. Não fala mal dos outros, mesmo de seus inimigos, a menos que seja com eles mesmos. Seus modos são serenos, sua voz é grave, sua fala e comedida; não costuma ser apressado, pois não acha nada muito importante. Uma voz estridente e passos apressados são adquiridos pelo homem através das preocupações. (...) Ele suporta os acidentes da vida com dignidade e graça, tirando o máximo proveito de suas circunstâncias, como um habilidoso general conduz suas limitadas forças com toda a estratégia da guerra. (...) Ele é o melhor amigo de si mesmo e se delicia com a privacidade, ao passo que o homem sem virtude ou capacidade alguma é o pior inimigo de si mesmo e tem medo da solidão.

Já se vê, pelas estatísticas e violência nos acidentes de trânsito que o homem moderno decepcionaria Aristóteles e a decepção se aprofundaria com a constatação de que se preocupa em demasia com o consumismo vazio, que abre mãe de lutar por direito básicos, mesmo sua vida sendo uma desgraça, que o individualismo nunca foi tão extremo e franqueza não é seu forte, ainda mais na política. Admira-se com qualquer ilusão, as meninas gritam perante os ídolos que nada dizem e não passam, em sua maioria, de embalagens vazias. A maldade é a regra, o carro tenta atropelar o carro, o carro é quase atropelado pelo ônibus, que se não se cuidar será levado pelo trem. Fala demais e aparecer na TV parece tão necessário, que muitos para aparecerem se expõe ao ridículo. As revistas que mais vendem, os jornais com maior audiência, são os que só mostram o mal ou só falam mal das pessoas. Quem anuncia seus produtos sabem disso. Não aprende com os erros dos outros, nem com os próprios erros, pois costuma votar nos mesmos candidatos ou mesmo partido. Na verdade o homem moderno, quase uma negação do homem ideal de Aristóteles, é o pior inimigo de si mesmo e, ainda por cima, o pior inimigo dos outros. Ainda bem que Aristóteles não viveu muito para decepcionar-se, mas viveu o suficiente para apontar caminho para humanidade.

Já Nietzsche, Filósofo Alemão, nascido há quase 200 anos atrás, também construiu o seu projeto de ser humano ideal:

Um homem bem logrado faz bem a nossos sentidos: é talhado de uma madeira que é dura, delicada e bem cheirosa ao mesmo tempo. Só encontra sabor naquilo que lhe é compatível; seu agrado, seu prazer cessa, onde a medida do compatível é ultrapassada. Adivinha meios de cura contra danos, utiliza acasos ruins em sua vantagem; o que não o derruba, torna-o mais forte. Ele faz instintivamente, de tudo aquilo que vê, ouve, vive, uma soma: ele é um princípio seletivo, muito ele deixa de lado. Está sempre em sua companhia, quer esteja com livros, homens ou paisagens: honra ao escolher, ao abandonar, ao confiar.

Reage a todos os estímulos lentamente, com aquela lentidão que uma longa cautela e um orgulho proposital aprimoraram nele – examina o estímulo que se aproxima dele, está longe de ir ao seu encontro. Não acredita nem em ‘felicidade’ nem em ‘culpa’: fica quite consigo, com outros, sabe esquecer – é forte o bastante para que tudo tenha de lhe sair da melhor maneira...

Percebe-se que nos tempos atuais esse ser humano ainda por surgir, a exemplo da descrição de Aristóteles. Certo é que sempre houve exceções, mas numa sociedade ideal, numa humanidade ideal, no mínimo o ser humano teria que ter as características acima desenhadas por Nietzsche e Aristóteles.

O homem moderno é talhado no virtual, em nada encontra prazer ou satisfação, vive correndo atrás do anda, reclama da falta de tempo e quando tem tempo não sabe o que fazer com ele. Mais erótico que praticante de sexo, fala direto em liberdade, mas não saber o que fazer quando a tem e sempre que pode limite a liberdade alheia. Em sua maioria, por não poder ser superior, tende a puxar os outros para baixo no nível em que se encontra, pensa: “ se não posso ser o maior, nivelarei por baixo, puxando pela perna...” Em sua grande maioria selecionado pela grande mídia para ser mais um na boiada, não sabe escolher, costuma abandonar até os próprios dependentes e não merece muita confiança. A felicidade para o homem moderno é aquilo que a mídia impõe, tem fé e é fanático por esse novo deus midiático. É fraco o bastante para não saber o que é votar e que de sua conduta depende tudo para materializar seu sonho, quanto o que deve ser prestado pelo Estado, quanto o que espera da sociedade, quanto ao seu nível de conhecimento. Tem sido fraco o bastante para sair à maneira que os modismos impõem. Na verdade um ser falso até quando consegue ser inteiro virtualmente.

A CONCLUSÃO É QUE AINDA ESTAMOS LONGE DOS SERES IDEAIS FORMULADOS PELOS DOIS GRANDES FILÓSOFOS. Com a palavra cada leitor e todo aquele que é parte do sistema educacional vigente. E assim, o que pode ser realidade, continua no campo da utopia.

16 comentários:

POESIAS &; CRÔNICAS disse...

Magistral seu texto poeta, parabéns sempre por tão eloquentes escritos.

Alex disse...

Excelente artigo mostrou a sociedade que vivemos, infelizmente.

cláudio disse...

Caro Valdecy:
Juntaste dois sábios da humanidade, o que sobra para nós reles mortais.
Em comum gostamos de Nietzsche. Veja este post no blog:
http://saudemgotas.blogspot.com/2009/11/como-escolher-o-parceiro-adequado.html
e
http://vidalongacomsaude.blogspot.com/
sobre o Poder de Menos...

e ser mais!
Ab., Cláudio(de Porto Alegre, entanguindo de frio, como dizem por aqui).

Aécia Leal - Soltando o verbo.... disse...

Meu caro Valdecy...

Quero parabenizá-lo pelo texto sensacional, colocado de forma tão aprazível de ler. Pelo-lhe liçença para publicá-lo no Blog Saboeiro Existe, pois o mesmo se adapta tão bem à situação política atual desta cidade e à perseguição política que venho sofrendo. Acima de tudo, o texto me fez refletir sobre minha luta e minha próproa conduta de vida. Quero proporcionar o mesmo aos meus leitores.

A partir de agora passarei a seguir esse blog maravilhoso...
Um abraço!

Valdecy Alves disse...

Aécia Leal, fique a vontade para publicar o texto. Obrigado por visitar o meu blog. Felicidades.

Ronaldo disse...

bel texto, tenho ouvido falar muito sobre isso na facu, acho que as coisas estão interligadas, eheehhe

bom resto de semana

Marcos Mucheroni disse...

Oi Valdecy:
Obrigado por visitar meu blog e postar um comentário então quiz retribuir, Ao meu ver nem o modelo ideal de Aristóteles nem o de Nietzche, tivemos homens ideais Jesus, Gandhi, Buda .. mas o que eles propuseram sempre pareceu utopia. Abraços:
Marcos L. Mucheroni

Júlio César disse...

Concordo Valdecy...não há como encontrar um mundo pronto da forma como acreditamos que deva existir, mas mesmo que existisse não estariamos maduros suficientes para preserva-lo ou ao menos admira-lo. Enfim, como foi dito, existem serês humanos iluminados, mas sabemos que existe a necessidade de um todo. Parabéns pela postagem.

Aécia Leal - Soltando o verbo.... disse...

Obrigado! Reafirmo ue seu Blog é cinco estrelas. Extremamente bem elaborado e conteúdo valoroso.

Parabens!

Valdecy Alves disse...

Diana, a poesia e a arte em geral é o oceano onde me encontro realmente. A atuação no dia-a-dia lagos revoltos, pedaços de rio que se foram para o mar do sensível. Pois a arte nos dá uma visão mais completa e menos desesperadora do ser humano e de suas relações sejam interpessoais, sejam instituiconais.

Já fortaleza é um máxima filosófica divina transformada em lugar. Tem belezas naturais que só se encontram na arte. Não morra sem vir ao Ceará e ver suas belezas naturais. Seria como viver anos e anos e nunca ter olhado para um céu estrelado. Tenha um bom dia. Saudações oníricas.

Suziley disse...

Texto bastante interessante e que nos faz refletir, Valdecy. Aliás, é da filosofia, ou melhor, da própria natureza humana, indagar-se e buscar respostas às suas inquietações. Afinal, somos seres ditos racionais, dotados de vontade, ligados à essência concretizados numa existência histórica e cultural. Vivemos o ser e o dever ser. O que temos, de real, em termos de pessoas, hoje, podemos constatar vários defeitos (muitos) mas, também, podemos apontar qualidades. Entrentanto, assim como no tempo do grande Aristóteles, no tempo de Nietzsche, buscamos a perfeição, ou melhor, a concretização de maiores qualidades num ser humano. Por isso ideal. Todavia, o ideal que enxergamos não está solto no ar ou na pura imaginação, ele nasce do real. Apresenta valores do que é ser humano verdadeiro e bom. Valores que perseguimos, consciente ou insconscientemente. Afinal, nascemos para o bom, o bem, o belo e o justo. Embora, muitas filosofias digam o contrário. Embora existam os contra valores e/ou valores diversos. Nenhum valor esgotará o melhor que posssa existir de um ser humano. Estamos sempre a caminho, num dever-ser. Perdoe-me o "jornal", mas o seu belo texto provocou-me várias reflexões. Somos realidades inacabadas em busca de maior perfeição. Eis, aí, a minha partilha. Obrigada. Um bom final de semana, um grande e fraterno abraço ;)

André Ferrer disse...

A esperança humana no "homem ideal" tende a se transformar em isca para seres ingênuos. Eis a ferramenta de igrejas e um sem-número de ideologias no campo da política (política em termos gerais e também específicos). Bom espaço este aqui. Grato pelo comentário no meu blogue sobre blogues OS MAIS BEM ESCRITOS BLOGS!!! Leia, também, as minhas crônicas semanais em www.andre-ferrer.blogspot.com

Edilson Trekking disse...

Valdecy, fiquei muitissimo feliz e honrado, por ter recebido o seu comentario no meu blog. Vou arriscar a responder. Qualquer pessoa que independente de sua raça, sexo, etnia, religião e posição social respeite o seu semelhante como a si mesmo. Apesar de que isso é meio que utopico.Prá mim essa seria a pessoa ideal. Um abraço.

Marcos Ricardo disse...

Gostaria de saber de onde é que você retirou a fonte aristotélica acerca da pessoa (sua primeira citação). Desculpe dizer, mas seu texto não tem nada haver. Um bla, bla, bla, sem critério.

Valdecy Alves disse...

Caro Marcos Ricardo, Publico o comentário no meu blog, em resposta ao seu comentário carregado de ódio injusto, destrutivo e inútil, por achar que não publicará o meu comentário que postei no seu blog.

Pra vc que gosta de colar textos dos outros, sem digeri-los, sem repensá-los, sem aplicá-los à realidade, o que exige reflexão. Eis a fonte quanto ao texto de Aristóteles: História da Filosofia, Will Durante, Nova Cultural, Ano 2000, página 93/94.

Quanto aos meus bla-bla-blás, seja lá o que forem, é a minha visão do hoje à luz dos textos mencionados. MENCIONADOS NÃO SOMENTE COPIADOS. Refleti, pensei, concluí. Veja se vai além de copiar texto dos outros, se é capaz de ter uma bla-bla-blá próprio. Nem que seja um erro. Pois menos erra quem erra pensando, que quem pensa que acerta apenas copiando, a exemplo de uma impressora, texto dos outros, que para perderem o cheiro de mofo do passado necessitam ser repensados, atualizados. Não sendo assim, tem-se um museu! PUBLIQUEI SEU COMENTÁRIO! ESPERO QUE PUBLIQUE O MEU!

Renata Rodrigues Ramos disse...

Gostei da interlocução entre esses dois filósofos admiráveis. Além disso, parabéns pelo blog. Agora poderei consultar diariamente as notícias e políticas do Ceará, por meio de seu engajado espaço virtual. Abraços!

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