terça-feira, 25 de dezembro de 2012

LUIZ GONZAGA - GÊNIO DA CULTURA NORDESTINA - 100 ANOS DO SEU NASCIMENTO - TIVE O PRAZER DE CONHECER SUA MÚSICA VIA MEU PAI - AVÔ E AINDA O CONHECI PESSOALMENTE - O QUE ME TORNOU RICO COMO SER HUMANO - POIS CONVIVI PROFUNDAMENTE COM A CULTURA RAIZ DO NORDESTE - VIVA A LUIZ GONZAGA! PATATIVA E A CULTURA NORDESTINA!

Homenagem do Google a Luiz Gonzaga - charge
Luiz Gonzaga, com sua genialidade, fez a síntese musical entre as 03 culturas que formam o brasileiro: negro, índio e branco. Ainda conseguiu captar símbolos da cultura nordeste e colocar de forma original em seu vestuário: o chapéu do cangaço, o gibão do vaqueiro, sem falar nos valores culturais, pois como se pode dizia Patativa: - Era nordestino da gema! Filho de cearense com pernambucana. Levou a religiosidade, o sofrimento, a fé, a força, a capacidade de luta do nosso povo nordestino. CRIOU UM ESTILO MUSICAL BELÍSSIMO, ORIGINALÍSSIMO! Grande, magistral, inesquecível, eterno, juntamente com sua obra.

Fez grandes parcerias musicais com compositores cearenses como Humberto Teixeira, José Clementino e Patativa do Assaré. Se Asa Branca, com Humberto Teixeira, é o clássico mais popular, não tenho dúvidas que A Triste Partida, de Luiz Gonzaga com Patativa é sua música testamento e mais filosófica e profunda. Épica por natureza e narra o sofrimento do sertanejo, o herói que vai-se da terra e volta vitorioso, onde morre e é sepultado após a saga. Tive a sorte de conversar com Patativa e perguntar pessoalmente como ocorreu a composição, a gravação da Triste Partida e o encontro dele com Luiz Gonzaga. Filmei e você pode ver a resposta vendo o pequeno documentário abaixo, da minha conversa com Patativa do Assaré. Virou documentário por acaso, gravei pra mim, mas não poderia deixar de partilhar, é história pura:


Conheci Luiz Gonzaga pessoalmente. Pude vê-lo em duas ocasiões:

A PRIMEIRA VEZ QUE O VI:  em Senador Pompeu, Ceará. Não sei bem o ano. Era ainda menino. Devia ter uns 10 anos. Ele chegou a Senador Pompeu para uma apresentação, numa veraneio, enorme. Parou no posto Esso, ao lado da bodega do Toim Lima. Para abastecer e num instante o carro ficou cercado de muitos curiosos. O meu pai tinha uma barbearia a uns 50 metros do posto. Era fã de Luiz Gonzaga. Daqueles que colocava o disco de vinil na vitrola amarela e dançava pra gente ver. Lembro bem da música: Dezessete e Setecentos....Meu avô, Seu Severino, amante de cordel e de forró, devoto de Padre Cícero e Frei Damião,  sapateava quando o ouvia no rádio. Conhecia muitas músicas dele. Quando ouvi dizer: - É Luiz Gonzaga! Corri para vê-lo. Mas quando cheguei o carro já estava saindo. Fiquei desolado. Ainda pude vê-lo de costas, sentado no banco do passageiro. Alguém disse: - Ele vai ficar no Hotel Central! Quando ouvi, fui correndo até o hotel, que naquele tempo ficava em frente ao Banco do Brasil, na antiga Rua Santos Dumont. Cheguei lá quase sem fôlego, cercado por curiosos, ele interagia com eles. Ainda consegui abordá-lo quando ele já ia entrando no hotel. Perguntei: - Ei o senhor é o Luiz Gonzaga? Ele respondeu: Sim! Falei: Eu gosto de suas músicas! Ele replicou: - - muito bem! Passou a mão pela minha cabeça, olhou bem nos meus olhos, como um pai, sorriu e entrou no hotel, chegavam muitos curiosos para conhecê-lo. MOMENTO REALMENTE INESQUECÍVEL! Não sabia que estava diante de um gênio, nem de uma das maiores expressões da cultura do nosso povo! JAMAIS ME ESQUECEREI.

A SEGUNDA VEZ QUE O VI: Morava na cidade de Ipaumirim, Ceará. Assisti a um show na quadra da Escola 11 de Agosto, Ele estava acompanhado de Elba Ramalho. Foi maravilhoso. Cheguei bem perto dele e o vi logo após o show, a menos de 03 metros. Guardava a sanfona. Já velhinho. Cercado de curiosos. Não o abordei. Só olhei. JÁ TINHA NOÇÃO DA SUA IMPORTÂNCIA PARA MÚSICA E PARA CULTURA BRASILEIRA. Sentia-me feliz e honrado.    

Como a Asa Branca através das asas da morte migrou para sempre do nosso meio, deixando uma seca de sua ausência na nossa cultura e saudade amarga como jiló. A seca terrível que tudo devora continua maltratando e matando no Nordeste do Brasil, em pleno Século XXI,  que é tão amado pelo seu povo, que quando vem de São Paulo matar saudade, cada légua é tirana. A destruição do meio ambiente acabou com acauã. O Riacho do Navio deve está destruído, Carolina perdeu a ingenuidade e se comadre Joana fosse viva, iria reclamar mais ainda da minissaia e dos tops que a filha tem, cada vez mais terminando muito cedo, cada vez mais começando muito tarde e como nunca, como facilita! Como... e para piorar as meninas não esperam mais mandacaru florar na seca, floram antes, bem antes... viajante, protetor do jumento nosso irmão, grande parte eleitores,  agora vendido como carne para o Japão. 

VIVA A LUIZ GONZAGA! VIVA A CULTURA NORDESTINA! VIVA AO REI DO BAIÃO! QUE ME FAZ TER ORGULHO DE SER NORDESTINO, DE SER BRASILEIRO, TERRA DE ARTISTAS TÃO INESQUECÍVEIS, TÃO GENIAIS! Pra vocês a música, em minha opinião, mais profunda de Luiz Gonzaga e de Patativa do Assaré, uma dupla única e histórica:

Um comentário:

Anônimo disse...

Sempre que leio algo, com relação a Gonzagão,fico bastante emocionado. As vezes rio, outras choro. É sempre um misto de sentimentos. Algo que não se consegue com os "forrozeiros"(??)atuais...

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