domingo, 31 de março de 2013

SECA NO NORDESTE - SECA DE ÉTICA NA POLÍTICA - A ESPERANÇA COMO BASE DA LUTA E A VIDA QUE SÓ EXISTE ONDE HÁ LUTA


Juazeiro no sertão ressecado - Rindo da seca
(Foto: Cid Barbosa)


                                                       Dedico o poema a Patativa do Assaré e a Bob Dylan
                                                                                                                        Fortaleza - março de 2012
                                                                                                                                               Valdecy Alves

A última folha seca
Caiu da última árvore xerófila
No sertão cearense devorado pela maior seca
Carregando o chão de húmus
.............................................................

Ao mesmo tempo
Brotou a última folha 
Na frondosa copa do juazeiro
De um verde tão neon e vivaz
Que com as demais similares folhas da copa
Transformavam a mágica árvore
No maior sorriso de esperança
Na majestosa e solene sequidão acinzentada...

Emigração de pessoas em dilúvio
Esqueletos de gado ao longo das estradas
Como arautos do reino e da força da morte...
Mas a pior seca, podem acreditar!
Era a de falta de ética e senso de justiça
No coração da maioria dos governantes...

Sertão Central do Ceará -  Senador Pompeu - Seca em Outubro de 2012
(Foto: Valdecy Alves)

Naquele sertão onde fósseis de leitos de rios e
Cemitérios de grotas desabitadas do murmúrio 
Das saudosas águas! 
Ladeadas por dantescos esqueletos de árvores...
Reino de políticos que flertam e se associam à morte
... Como o juazeiro no meio da planície do sertão-saara,
A esperança viva e relampejando
Em cada humano que resiste
A esperança viva e viva sempre
Porque é a base de toda a luta
E toda a luta sinônimo de vida
Pois viver é lutar...


Enquanto assim for
A morte e seus parceiros
serão os derrotados!
As folhas secas já escreveram
no estrume do amarronzado  chão:
- Agora somos húmus
E com o mesmo sol virá 
O amanhã com as chuvas
Com raios e ensurdecedores trovões
Que despertarão o verde
Que latente dorme sob o lençol da morte!

Quem viver verá!
Porque onde o homem fracassar com a justiça
A natureza vencerá com o acaso!
Até agora o acaso é vencedor...
Duvida???
Visite colmeias e formigueiros...
Que hibernam no mesmo sertão
Sem reis, sem governantes, sem leis...
A não ser a força do instinto!

Logo a esperança permanece viva
Porque é o alicerce da luta
E  lutar é sinônimo de vida!
Resistir é lutar!
Que sempre haja resistência
Fruto em que dormita
Toda semente da existência
Porque quando parece que a morte venceu
Apenas fabricou o húmus
Que alimentará a vida
que matará a morte no amanhã!

POR ISSO: NEM A INJUSTIÇA!
NEM A CORRUPÇÃO!
NEM A MORTE JAMAIS VENCERÃO!

Seca no Sertão do Rio Grande do Norte - 2012 - Poeta Valdecy Alves ao lado de gado morto
(Foto: Mara Paula)


2 comentários:

Barja disse...

O poema é belo e forte. Forte também é a luta cotidiana diante de todas as intempéries. Abraço!

Professor Edineudo disse...

Belo poema meu caro amigo Dr Valdecy, porque a vida é realmente feita de luta, de secas, mas de chuvas e também de vitórias. Este é o cenário da vida real que nos convida e nos anima a continuar lutando por dias nublados e com chuvas que façam brotar melhores dias, mais justiça social.

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