sábado, 1 de abril de 2017

Poesia de Valdecy Alves: Tábua de Salvação dos Náufragos"

Painel montado por Valdecy Alves: Pintura de Claude Monet ( Mulher com Sobrinha)
Pintura de Delacroix (A Liberdade Guiando o Povo) e Desenho do Google


Tábua de Salvação dos Náufragos

                                            Aos verdadeiramente livres e que mantêm a esperança viva 

Ah, mulher!
Ah, linda mulher!
Que inocentemente
Em toda tua beleza
Com altivez e elegância
Atravessas a deserta praça...
Consegues manter a esperança
E só a parte em quem és força da natureza
Faz-te mais poderosa que qualquer ideologia


Perdido em minhas reflexões
Sobre o comunismo e o capitalismo
E do alto dos livros contemplando
O Século XX e toda a história
Penso em todas as promessas
Não cumpridas e traições de todas
As ideologias... que num momento
São opostas e disputam o poder
E noutro momento de unem
Para manter-se ou dividir poder!
Sendo sempre úteis a alguns
E pouco úteis ao povo
Em quem fixam suas bases e parasitam...



Ao pensar sobre o comunismo
Que chamou dar ração aos pobres
Como se dá ração aos cães:
De igualdade... de justiça social...
E prometeu pôr fim  à fome e à necessidade...
Mas em troca de se permitir colocar a coleira
E sacrificar a liberdade... a fome do espírito
E colocar focinheira... e garantir espaço no canil...
Tudo isso alimentado por rios de sangue e de silêncio
Consigo escutar o grito de todos os sonhadores
Pela verdadeira justiça social e política negadas...
A todas as gerações de traídos e oprimidos do passado

Quando penso no capitalismo
Que casado à democracia
Prometeu a liberdade...
E que cada um ganharia o próprio pão
Não mais que o mísero pão diário
Necessário a cada dia... tão somente
Fazendo renascer a escravidão mascarada...
E muitas vezes em nome de preservar empregos
Recorre ao dinheiro público
Dividindo entre todos os prejuízos e riscos...
Da liberdade de mercado que só protege o lucro...
Vejo que no campo da justiça social
Pouco temos avançado nos últimos séculos...


Mas isso não é pessimismo
Para justificar que os sonhos estão mortos
Nem defesa de volta ao passado que era pior...
É conclusão verdadeira e sinal
Que é preciso desenhar novas utopias...


Ah, mulher!
Ah, linda mulher!
Que inocentemente
Em toda tua beleza
Com altivez e elegância
Atravessas a deserta praça...
Consegues manter a esperança
E só a parte em quem és força da natureza
Faz-te mais poderosa que qualquer ideologia


Ah, mulher! Ah, mulheres
De todos os povos e única a um só tempo
A tua imagem, teus passos
Nada de promessas quando ocorre o amor
O olhar... a sedução... o jogo...
A companhia, a parceria, a amizade...
A voz feminina e a feminilidade...


Tens feito homens felizes em todas as realidades
Em todos os países... em todos os continentes...
Em todas as religiões... em todos os idiomas
Em todos os tempos... tempos e temporais...
E ainda tens garantido a existência da humanidade
Que é sempre uma nova chance
Para se evitar novos erros
Acertando em novos sonhos e ideologias...
Ah, o amor... seja o da companheira...
Seja o da mãe... da amante... Ah, o amor!
Tem sido e continua a ser
A maior, melhor e mais eficaz de todas as ideologias
Pois nunca prometeu, utopia real e fato
E o dado nunca prometido é rico tesouro
E tudo que tem concedido
Nesse deserto de igualdade e liberdade
Ainda a nível de esboço...
Tem sido muito! Muito... um oceano..
Tábua de salvação dos náufragos.

                                                                                                          Fortaleza (CE), 01 de abril de 2017

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