sábado, 22 de julho de 2017

RODOLFO TEÓFILO – INTELIGENTE – HUMANISTA – POLIVALENTE – GENIAL – PERSEGUIDO E INJUSTIÇADO – BAIANO POR ACASO – CEARENSE POR TOTAL OPÇÃO...

Foto: Da internet

Casa de Rodolfo Teófilo em Maracanaú
Preservada - Foto: Mara Paula
Rodolfo Marco Teófilo é um desses homens raros, que talvez nasça um a cada 100 anos, numa grande metrópole. Antes de tudo HUMANISTA. Pois usou todo conhecimento e até parte dos seus recursos para erradicar a varíola no Ceará. Ele mesmo fabricando uma vacina, a partir de estudos. Por isso mesmo perseguido pelos governantes da época, os Acioly, por voluntariamente combater uma epidemia que deveria ter sido combatida pelo Poder Público, como sempre omisso ontem, hoje e certamente amanhã. O cruel dessa história é que o próprio governador acabou indo-se vacinar também com ele e sua vacina, embora tenha perseguido Rodolfo Teófilo por fazer o que o Estado deveria ter feito. Antes o Poder Público apenas deixasse de fazer, mas nem faz, nem deixa fazer. Realidade que continua no Século XXI. Com uma diferença. Não temos um Rodolfo Teófilo. A política de saúde está tão falida, que nem se tendo plano de saúde, tem-se acesso a tal direito. Enquanto a Zika, a Chikungunya e a dengue  são epidemias em trindade no dia-a-dia do Ceará. Foi um grande HISTORIADOR, pois ninguém como ele registrou as grandes secas do Ceará, escrevendo sobre o cangaço, Sedição de Juazeiro e descrevendo e denunciando a irresponsabilidade que foram os campos de concentração na seca de 1877/1879 e na Seca de 1915. 

Casa de Rodolfo Teófilo em Fortaleza
Demolida - Foto: Valdecy Alves
GRANDE ESCRITOR, escreveu o famoso clássico A FOME, denunciando e retratando o CAMPO DE CONCENTRAÇÃO DO ALAGADIÇO EM FORTALEZA CEARÁ. O livro que introduziu o naturalismo no Brasil. O romance conta a história da Família liderada por Manuel de Freitas, que na seca de 1877/1879, deixa tudo que tem no sertão longínquo e parte para Fortaleza, em busca de alimento e socorro. Sem dúvida obra que influenciou Raquel de Queiroz. Em dias de caminhada Rodolfo Teófilo retrata todo o horror que a seca pode produzir, quando o homem, sem planejamento, tenta enfrentar as forças da natureza face a face. Mas essa família ao chegar a Fortaleza, que na grande seca, passou de cerca de 20.000 habitantes para 120.000 habitantes, aumentando a população 6 vezes em quantidade, encontrou a secura dos homens, a ausência do Poder Público, flagelados amontoados numa concentração de milhares de pessoas no Campo de Concentração do Alagadiço, primeiro campo de concentração da história das secas e da história do Ceará. Atualmente se localizaria na Jacarecanga entre a Bezerra de Menezes e a Leste-oeste, atrás do Hiper Bompreço. A natureza bruta e a bruta natureza humana são reveladas de forma crua e clara.

Com fotos da casa e dele
Cronologia de suas principais obras - Segundo Revista do Instituto do Ceará:  1) História da Seca no Ceará - 1883; 2) Monografia de Mucunã - 1888; 3) Ciência Natural em Contos - 1889; 4) Botânica Elementar (em parceria com Garcia Redondo) - 1889; 5) A Violação - 1889; 6) A Fome - 1890; 7) Cartas Literárias - 1895; 8) Os Brilhantes - 1895; 9) Maria Rita - 1897;  10) O Paroara  - 1899; 11) Secas do Ceará (Segunda Metade do Século XIX) 1901; 12) Varíola e Vacinação no Ceará (1a . parte ) - 1904; 13)   Violência - 1905; 14)  O Cunduru - 1910; 15)  Varíola e Vacinação no Ceará (2ª. parte ) - 1910; 16) Memórias de um Engrossador  -1910; 17)  Lira Rústica - 1913; 18)  236 Revista do Instituto do Ceará - 2009; 19) Telésias - 1913; 20) Libertação do Ceará - 1914; 21) A Sedição de Juazeiro - 1915; 22)  Cenas e Tipos - 1919; 20)  Reino de Kiato - 1922 ; 23) A Seca de 1915  -1922; 24) A Seca de 1919 - 1922; 25) Os Meus Zoilos - 1924; 26) O Caixeiro - 1926 E 27)  Coberta de Tacos  - 1931. Ainda foi inventor. Criador de uma tinta que marcava algodão para exportação, vendeu vacina contra varíola para vários estados do Brasil e criou o refrigerante mais famoso do Ceará, feito de Caju, a Cajuína.



Mara Paula em manhã de chuva em frente
À Casa de Rodolfo Teófilo
Foto: Valdecy Alves
SOU CEARENSE PORQUE QUERO: Famosa frase de Rodolfo Teófilo, filho de cearense que nasceu da Bahia, porque o pai dele prometeu para família da esposa que o primeiro filho nasceria na Bahia. 15 dias após seu nascimento em 1853, seu pai voltou para o Ceará. Ele foi batizado na Igreja do Rosário, onde hoje fica a Praça dos leões. Igreja mais antiga de Fortaleza. Mas ele se dizia cearense e quando lhe diziam que ele nasceu na Bahia, onde cursou farmácia. Pois era farmacêutica, ela não concordava. DIZIA QUE ERA CEARENSE E CEARENSE POR QUE QUERIA. Faleceu em 1932. Participou do clube de Leitura, foi membro da famosa Padaria Espiritual e da Academia Cearense de Letras. Foi abolicionista, tendo contribuído para que Redenção fosse a primeira cidade do Brasil e o Ceará o primeiro Estado a libertar os escravos. Não tenho dúvidas que Rodolfo Teófilo, por tudo isso,  merece e precisa ser mais conhecido e cultuado. Sem dúvidas que é um dos personagens mais importantes da História do Ceará e do Brasil. Talvez seu espírito autônomo e seu exemplo leve aqueles que poderiam manter sua memória mais viva a jogá-lo ao mar do esquecimento. Pois esses poderosos cultuam e cativam a escravidão, são inimigos da liberdade, da utopia e da justiça social, valores dos quais, Rodolfo Teófilo foi profeta e pregador com sua luta e exemplo de vida. Ah, se nascesse um Rodolfo Teófilo no Ceará cada 50 anos!!!


Abaixo, pequeno documentário feito na Casa de Rodolfo Teófilo na Pajuçara em Maracanaú na manhã de 21/07/2017:







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