sexta-feira, 23 de agosto de 2019

CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO NA SECA DE 32 FORAM DEBATIDOS NO VII CURSO BRASILEIRO INTERDISCIPLINAR EM DIREITOS HUMANOS - COM PALESTRA - EXIBIÇÃO DE DOCUMENTÁRIO SOBRE OS CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO DO PATU - BURITI E CARIÚS NO CINETEATRO SÃO LUIZ EM FORTALEZA

Público que permaneceu até o final do debate no Cineteatro São Luiz
Após exibição do documentário CAMPO DE CONCENTRAÇÃO DO PATU, BURITI E CARIÚS
Fotos: Mara Paula

CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO DA SECA DE 32 FORAM DEBATIDOS NO  VII  CURSO BRASILEIRO INTERDISCIPLINAR EM DIREITOS HUMANOS - COM PALESTRA - EXIBIÇÃO DE DOCUMENTÁRIO SOBRE OS CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO DO PATU - BURITI E CARIÚS - DA SECA DE 32 - NO CINETEATRO SÃO LUIZ  - EM FORTALEZA:  Dentro do evento promovido pelo Instituto Brasileiro de Direitos Humanos - IBDH -  juntamente com Instituto Interamericano de Direitos Humanos, em sua sétima edição, tendo como  tema: "O Desafio dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais”, com presença de vários professores e pesquisadores de outros países. Houve debate sobre os Campos de Concentração da Seca de 32, após palestra do Professor Humberto Cunha e exibição do documentário Campo de Concentração do Patu, Buriti e Cariús. 


Momento de exibição do documentário no Cineteatro São Luiz


Momento do início da palestra do Professor Humberto Cunha Filho 
PROFESSOR HUMBERTO CUNHA FEZ UM VERDADEIRO RESUMO DOS DIREITOS ECONÔMICOS - SOCIAIS E CULTURAIS NA HISTÓRIA DO CEARÁ DESDE O BRASIL IMPERIAL ATÉ OS DIAS ATUAIS COM FOCO NO ESTADO DO CEARÁ:  Terra de José de Alencar, criador do mito de Iracema, que mostrando o nascimento do Ceará foi adotado como mito de origem para toda América. Terra da luz, onde primeiro os escravos foram libertados e com participação popular. Terra que criou a primeira Academia de Letras no Brasil e que também teve a primeira mulher que entrou na Academia Brasileira de Letras. Terra de tantas outros fatos que dão orgulho e enaltecem o Ceará e o povo cearense. Mas terra também de pobreza, das grandes secas. Terra em que existiram campos de concentração antes dos nazistas. Terra onde os direitos econômicos, muita pobreza, os direitos sociais, a desigualdade, e os direitos culturais, uma vez analisados levam a muitas conclusões e à necessidade de tomada de medidas no presente e no futuro. O pensamento e a visão do Professor Humberto Cunha podem ser melhor compreendidos através dos seus livros, vários, que podem ser adquiridos nas grandes livrarias de Fortaleza.

Tem início debate com o público após palestra e exibição do documentário
Falando Dr. César Barros Leal - Procurador do Estado do Ceará - professor da UFC




O debate foi muito participativo e complexo 

O DEBATE SOBRE OS CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO DAS SECAS DO CEARÁ À LUZ DOS DIREITOS ECONÔMICOS - SOCIAIS E CULTURAIS APÓS EXIBIÇÃO DO DOCUMENTÁRIO: Após a palestra e exibição do documentário " Campo de Concentração do Patu - Buriti e Cariús", produzido e dirigido por Valdecy Alves, de forma autoral e independente,  teve início o debate no auditório do Cineteatro São Luiz. As perguntas foram as mais variadas, podendo-se resumir, dentro da temática seguida da seguinte forma: QUANTO AOS DIREITOS ECONÔMICOS, o perfil dos concentrados se enquadra nos mais pobres, nos excluídos, nos mestiços, que nunca receberam terras, agregados miseráveis desde o período colonial, que tem o mesmo perfil do povo de Canudos, do povo do Caldeirão de Santa Cruz do Deserto, no Crato, dos devotos de Padre Cícero, que fazem de Juazeiro uma Nova Jerusalém, e dos que são mortos nas periferias das grandes cidades do Nordeste... DIREITOS SOCIAIS que não chegaram para todos, nem no passado, desde o Brasil colonial, até o presente, bastando ler as matérias da grande mídia que mostram o Ceará, em 2019, como o 4º colocado em pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza. Por isso sendo fundamental conhecer o passado, para que paremos de repetir os mesmos erros que causam toda a distorção social secular. DIREITOS CULTURAIS que através do cinema (documentário), do teatro, da literatura de cordel,  da música, dos grandes romances como O Quinze de Raquel de Queiroz, A Fome, de Rodolfo Teófilo, Os Retirantes, Cassacos... demonstram a força da cultura cearense, que dentre os grandes escritores tem José de Alencar e tantos outros que podem ser citados. ASSIM, DENTRO DO EIXO DOS DIREITOS ECONÔMICOS, SOCIAIS E CULTURAIS, o debate foi de alto nível e terá muitos bons desdobramentos no Ceará, no Brasil e através dos professores, estudiosos e pesquisadores de outros países presentes ao evento.



FOTOS DO PROFESSOR HUMBERTO CUNHA DURANTE SUA PALESTRA:













domingo, 11 de agosto de 2019

SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS ENTRE O CEARÁ E A ISLÂNDIA - A TERRA DO SOL E A TERRA DO GELO - POR QUE UM POVO É TÃO RICO E OUTRO POVO TÃO POBRE? AMBOS COM BELEZAS NATURAIS E SITUAÇÕES EXTREMAS CONHECIDAS NO MUNDO INTEIRO

Mapa do Ceará

AS SEMELHANÇAS ENTRE O ESTADO DO CEARÁ E A ISLÂNDIA: Há muitas semelhanças entre o país chamado Islândia e o Estado do Ceará, uma das federações do Brasil. A partir das semelhanças faremos uma reflexão sobre as diferenças tão marcantes. Podemos apontar como semelhanças:

1) O clima extremo, muito quente no Ceará, muito frio na Islândia
2) Sob domínios de forças radicais da natureza
3) A importância do mar na vida dos seus povos, onde o barco e a jangada são fundamentais
4) Suas belezas naturais e o turismo como grande fonte de receita
5) Povo miscigenado (escandinavos e celtas) (português, negro e índio) patrão e mão de obra
6) Último Estado a ser colonizado no Nordeste, último país a ser habitado na Europa
7) Áreas territoriais similares, o Ceará com território um pouco maior que a Islândia


O Ceará no Mapa do Brasil
AS DIFERENÇAS NO CAMPO ECONÔMICO - POLÍTICO E SOCIAL SÃO ESTARRECEDORAS - O QUE PODE EXPLICÁ-LAS:  O clima no Estado do Ceará varia entre 20 graus a 28 graus ao longo do ano, sendo mais quente no seu interior. CONHECIDO COMO A TERRA DO SOL E LIGADO À LUZ - COM A SIMBOLOGIA DA TERRA DA LIBERDADE E TERRA DA LUZ.  Já a Islândia, conhecida como Iceland. O Ceará não tem atividades vulcânicas, a Islândia é a terra dos vulcões, terra do gelo e do fogo. As forças da natureza são responsáveis por paisagens no Ceará e na Islândia que atraem turistas do mundo inteiro. O Ceará fica quase na linha do Equador, a Islândia quase no Polo Norte.  Todavia as piores diferenças dizem respeito à economia, a políticas públicas e à justiça social que merecem destaques, a saber:

1) O Ceará tem cerca de 9 milhões de habitantes e a Islândia cerca de 350 mil habitantes
2) O PIB anual do Ceará é de cerca de U$ 34 bilhões de dólares, o da Islândia U$ 25 bilhões de dólares anual
3) A renda per capita no Ceará anual é de U$ 3.800 dólares anual, já na Islândia a renda per capita anual é de U$ 83.750 dólares anuais
4) A taxa de homicídios no Ceará é de 60 assassinados por 100 mil habitantes, na Islândia é de cerca de 2 homicídios por 100 mil habitantes
5) O Ceará tem um dos maiores índices de criminalidade do Brasil, a Islândia tem um dos menores índices de criminalidade do mundo
6) O Ceará recebe cerca de pouco mais de 100 mil turistas por ano, a Islândia mais de 2 milhões de turistas por ano
7) Não se entende porque a indústria da pesca que é fundamental para economia da Islândia é tão fraca na economia do Ceará, apesar dos recursos no Oceano Atlântico tão rico em recursos naturais

Islândia
ALGUMAS CONCLUSÕES DA ANÁLISE DAS DIFERENÇAS ENTRE CEARÁ E ISLÂNDIA: Como 350 mil habitantes, população da Islândia,  07 vezes menor que Fortaleza, pode produzir uma renda anual por pessoa, por habitante,  20 vezes superior à renda per capita do Ceará?  Por que no Ceará matam-se mais pessoas por 100 mil habitantes, 30 vezes mais que na Islândia? Claro que a desigualdade social e acesso a direitos fundamentais explicam em parte tais absurdos, mas por que não resolver esse problema crônico no Ceará, que tem melhorado muito nos últimos tempos, tendo causas seculares que recuam à distribuição das sesmarias, terras, e à discriminação dos povos mestiços? Comparando a importância da pesca para as duas economias, tem-se a impressão que a pesca no Ceará, com um dos maiores litorais do Brasil, nunca foi levada a sério. Como explicar a Islândia, cheia de vulcões, com terremotos, em muitas cidades o ar e a água impregnados do odor de enxofre dos vulcões, receba turistas, que correspondem 05 vezes á população do país, enquanto o Ceará recebe pouco mais de 100 mil turistas por ano??? Se o Ceará conseguisse ao menos receber um número de turistas igual à sua população, receberia cerca de 9 milhões de turistas por ano. Fosse capaz de igualar o feito da Islândia, receberia por ano 45 milhões de turistas. ALGUNS PODEM DIZER: - Mas não se pode comparar um país com um Estado de uma federação... sim... podemos sim... porque esses mesmos são os que se gabam que o Brasil é um país continental... então que seus feitos sejam continentais e dos estados da federação sejam feitos a níveis de países.

Islândia e Ceará com destaque no Mapa do Mundo


TALVEZ FOSSE IMPORTANTE ANALISAR QUE POLÍTICAS A ISLÂNDIA ADOTOU PARA O TURISMO - PARA PESCA E PARA REDUZIR A DESIGUALDADE SOCIAL: Maquiavel dizia que existem aqueles que aprendem com os próprios erros, são as pessoas normais; que existem aqueles que aprendem com os erros dos outros, estas são as pessoas inteligentes, mas existem aqueles que não aprendem nem com os próprios erros, nem com os erros dos outros, ESTAS SÃO AS PESSOAS IMBECIS. Que tal aprendermos um pouco com o povo da Islândia, terra do fogo e do gelo ao mesmo tempo, terra dos terremotos, terra das montanhas e baías fumegantes, com temperatura anual média de 11 graus, podendo chegar a -3 graus negativos,  terras em que os escandinavos escravizadores miscigenaram-se com os celtas escravizados... sobretudo copiando suas políticas para o turismo, para pesca e para redução da desigualdade social, problema secular num Estado, onde governo estadual e governo Federal, a exemplo dos nazistas, fizeram campos de concentração nas secas para matar em massa, pelo abandono e pela omissão imediata através da fome e da falta de assistência médica, seu próprio povo, fruto de exploração, genocídio e aniquilamento ao longo dos séculos, onde uma parte da população se comporta como colonizadora, tratando pobres e mestiços como colonizados, gerando uma desigualdade social, que redunda num genocídio e numa guerra civil de fato, em que se mata 60 pessoas por cada 100 mil habitantes, coincidentemente o  povo vitimado é o mesmo povo que tem o perfil social de Antonio Conselheiro, de Beato Lourenço e seus seguidores... do mesmo povo devoto de Padre Cícero... do mesmo povo vitimado em todos os campos de concentrações das secas do Estado do Ceará, há séculos e séculos... Oh, copiemos um pouco da Islândia!


PAISAGENS MARAVILHOSAS DO CEARÁ E DA ISLÂNDIA:

Geleira na Islândia na encosta de um vulcão - país de gelo e fogo

Praia de Vik na Islândia - Praia negra de areias queimadas pelos vulcões - temperatura negativa

Estrada construí da num campo de magma
Que leva ao vulcão  Trihnukagigur 



Espelho d"água entre o o azul do mar e o vermelho da Praia de Ponta Grossa


Conhecer o Sertão Central - sua História - Beleza e o pôr do sol sem igual

Praia de Beberibe com as cores infindas de suas falésias



domingo, 21 de julho de 2019

TOMBADO TODO O SITIO HISTÓRICO DO CAMPO DE CONCENTRAÇÃO DO PATU NA MANHÃ DE 20/07/2019 - O EVENTO OCORREU AO LADO DA VELHA ESTAÇÃO DA VILA DOS INGLESES - ONDE DESEMBARCARAM MILHARES DE FLAGELADOS - MUITOS PARA MORTE... MUITOS PARA O TRABALHO ESCRAVO E OS QUE SOBREVIVERAM PARA CONTINUAR A EPOPEIA DO DEGREDO... HOMEM NENHUM... PARA LUGAR NENHUM... DE VIDA NENHUMA!


Estação Ferroviária do Campo de Concentração do Patu
Foto: Padre João Paulo

COM O TOMBAMENTO DO CAMPO DE CONCENTRAÇÃO DO PATU - FECHA-SE O PRIMEIRO CAPÍTULO DE UMA GRANDE LUTA DA SOCIEDADE CIVIL: Após anos de luta pela sociedade civil, finalmente ocorreu o tombamento do Campo de Concentração do Patu, no Município de Senador Pompeu, Ceará, na manhã de 20/07/2019. Ao lado da Estação Ferroviária, que mais do que uma estação para vida, foi uma estação para prisão e para morte. Único de todos os campos das grandes secas preservado. De grande importância para o Brasil e para América. O Campo em que proporcionalmente morreram mais retirantes. A ponto do martírio ser tal que as Almas da Barragem foram santificadas pelo povo. Assim, o Sítio Histórico tombado, reunindo num só local, um rico patrimônio material e imaterial, este advindo do surto messiânico, da fé, da religiosidade popular, que deu origem à Caminhada da Seca, que se realiza todo segundo domingo de novembro de cada ano há 36 anos. Quando milhares de pessoas saem de frente da Igreja Matriz, em procissão, até o cemitério do Campo de Concentração do Patu, onde em valas, foram enterradas milhares de pessoas. Um local que tem a mesma simbologia de Canudos, do Caldeirão de Santa Cruz do Deserto, para que o Brasil possa analisar seu passado, compreender porque brasileiro faz guerra civil com brasileiros, porque brasileiro colocou brasileiro em Campos de Concentração... para... aprendendo com os erros da história, finalmente mudar o rumo e formar uma verdadeira nação, onde fatos de tal natureza, nunca mais ocorram. E que mereça o nome de pátria mãe gentil.

CONFIRA ABAIXO FOTOS DO EVENTO DE TOMBAMENTO:

Prefeito Maurício Pinheiro ao lado do promotor Dr. Geraldo Laprovítera
Assinam oficialmente o tombamento do Sítio Histórico
Foto: Mara Paula


Casa da Farmácia

Dr. Geraldo Laprovítera - Representante do Ministério Público em Senador Pompeu
Mediador do TAC - Explica os efeitos jurídicos do tombamento
Foto: Mara Paula


Caminhada da Seca
Evento anual em memória das vítimas do Campo de Concentração do Patu

Evento oficial de assinatura do tombamento

Dr. Valdecy Alves
Defendendo a importância do tombamento do Campo de Concentração do Patu
Foto: Mara Paula

Leia mais sobre o Sítio Histórico do Campo de Concentração do Patu, clicando nos link e nas imagens abaixo:




Documentário:





Reportagens da grande mídia nacional sobre o Campo de Concentração do Patu:

https://infograficos.estadao.com.br/cidades/o-centenario-da-seca/phone/a-seca-de-1932-mem%C3%B3ria-de-um-campo-de-concentra%C3%A7%C3%A3o.html


https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2014/11/1554774-viagem-pela-memoria-de-campos-de-concentracao-no-ceara.shtml

domingo, 14 de julho de 2019

QUE SIGNIFICA E O QUE SIMBOLIZA O TOMBAMENTO MUNICIPAL DO SÍTIO HISTÓRICO DO CAMPO DE CONCENTRAÇÃO DO PATU EM SENADOR POMPEU CEARÁ? QUAIS FUTUROS PASSOS DEVERÃO MINIMAMENTE SER TRILHADOS NO PÓS-TOMBAMENTO. RUÍNAS DO CAMPO DO PATU - PATRIMÔNIO CULTURAL E MATERIAL DA AMÉRICA


Fotos de Padre João Paulo - Mara Paula e Valdecy Alves

DO TOMBAMENTO MUNICIPAL DO SÍTIO HISTÓRICO DO CAMPO DE CONCENTRAÇÃO DO PATU - SENADOR POMPEU - CEARÁ: Repercutiu em toda mídia local, estadual, nacional e até de forma internacional, a conclusão do processo de tombamento das ruínas do Campo de Concentração do Patu, na Seca de 32, que funcionou em Senador Pompeu, Estado do Ceará. Fruto de uma luta comunitária que teve início nos anos 90. A sociedade civil saiu na frente, mas o Poder Público, retoma terreno com a séria e compromissada participação do Ministério Público, que via Termo de Ajuste de Conduta (TAC), chegou a um acordo com o Município quanto ao tombamento do mais famoso Campo de Concentração do Brasil e do continente americano.  De muita importância a postura do Município em concluir os trabalhos de tombamento e o prefeito mobilizar, concluindo o evento em ato simbólico no próprio Sítio Histórico, no Casarão da Inspetoria. PROVA DE QUE A PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO MATERIAL E CULTURAL PRECISA DO PODER PÚBLICO E DA SOCIEDADE CIVIL NA LUTA. Cada um fazendo o que lhe cabe. Pois se trata de manter viva a memória, importante para cada pessoa individualmente, importante para identidade coletiva. Devendo, pela importância, ser uma conquista de todos e devendo pairar sobre partidos, sobre paternidades... tema suprapartidário e suprageracional. Fundamental  o tombamento a nível municipal, porque se o Município não for o primeiro a tombar o sítio histórico, como poderá cobrar o Estado do Ceará e do governo Federal, que façam o mesmo? Nesse sentido, total parabéns a todos da sociedade civil, ativistas, idealistas, humanistas, que lutaram por décadas por esse tombamento. Em seguida parabéns ao promotor e ao prefeito por assumiram de forma clara o papel do Poder Público nesta questão de interesse nacional e internacional. Importante destacar que há processo de tombamento a nível estadual, desde 1996, mas já próximo de ser concluído. E também pedido de tombamento a nível federal. No item adiante, a importância  da preservação do Sítio Histórico do Campo de Concentração  do Patu para Senador Pompeu, para o Ceará, para o Brasil, para América e para o mundo. 

Campo de Concentração do Patu
Foto: José Bonifácio Paranhos da Costa
Chefe da  Comissão Médica Federal que tentou debelar as epidemias
Nos Campos de Concentração da Seca de 32  - Mais para salvar a imagem de Getúlio Vargas que o povo

SOBRE A IMPORTÂNCIA DA PRESERVAÇÃO DO CAMPO DE CONCENTRAÇÃO DO PATU PARA O CEARÁ - PARA O BRASIL E PARA O MUNDO: De todos os campos de concentração das secas do Ceará, de 1877/1879, 1915 e 1932, o Campo de Concentração do Patu é o único preservado. A grande seca de 1877/1879, uma das maiores tragédias da história do Brasil e do mundo, foi imortalizada por Rodolfo Teófilo, na sua obra literária "A FOME", que relata a história de uma família que veio do interior para o Campo de Concentração do Alagadiço. Um clássico da literatura brasileira. Rodolfo Teófilo escreveu também um relatório sobre a seca e os abarracamentos, denunciando a crueldade e a falta de humanidade com que foram tratados os retirantes. Fotos terríveis do flagelo foram tirados por jornalista norte americano, na seca de 1877/1879,  pois a seca repercutiu no mundo inteiro. O Campo de Concentração do Alagadiço, campo santo para Rodolfo Teófilo, que se localizava entre o Pirambu e o Instituto dos Cegos, em Fortaleza, Ceará, chegou a receber mais de 100 mil retirantes. Aumentando em 06 vezes a população de Fortaleza na época. Importante deixar cristalino que todo esse drama ocorreu durante o império, no Brasil da monarquia, que teve como maior ação, começar a construção do Açude do Cedro em Quixadá. Acabou o império e sequer o Cedro foi concluído.

Pinturas de Portinari - Masp
Os Retirantes
Em 1915 ocorreu outra Grande Seca, desta vez, quando o governador do Estado Benjamin Barroso, decidiu deslocar os retirantes da seca, que estavam no Passeio Público, para o Campo de Concentração do Alagadiço, que foi reaberto, alterando a denominação de abarracamento para Campo de Concentração e de retirante para flagelado, o próprio Rodolfo Teófilo obteve audiência com o governador, protestando contra criação da concentração, contra a mudança dos nomes de retirantes para flagelados e de abarracamento para campo de concentração.  AVISOU QUE TAL TIPO DE POLÍTICA PRODUZIRIA A MORTE DE TODOS. Nesse tempo a jornada do interior para Fortaleza foi amenizada em virtude do trem. Minorando o sofrimento e diminuindo os corpos que ficavam pelas estradas de famílias imortalizadas como na obra Vidas Secas. A mulher do governador, que fazia trabalhos voluntários no campo de concentração, triste ironia, contraiu a doença dos concentrados e faleceu. Foi aberto, em 1915, o Campo de Concentração do Matadouro, ao lado do qual, nos anos 20 foi construída a Estação do Otávio Bonfim, atualmente esquina da Rua José Jatahy com Bezerra de Menezes. A saída da família de Chico Bento de Quixadá para o Campo do Matadouro em Fortaleza seria imortalizada pela escritora Raquel de Queiroz na sua obra '" O QUINZE", uma das mais conhecidas da literatura brasileira, que fez com com que a escritora fosse a primeira mulher a entrar na Academia Brasileira de Letras. 1915 é a era da República Velha, pejorativamente chamada de República dos Coronéis. O DRAMA DOS CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO NÃO APENAS SÃO EXTREMAMENTE CRUÉIS, COMO AS HISTÓRIAS QUE INSPIRAM, BASE DA CRIAÇÃO DE UMA NOVA LITERATURA NACIONAL. Importante lembrar obras como: Vidas Secas, Morte e Vida Severina, na pintura, Portinari pintou sobre as secas, morte e flagelados.


ENTÃO VEM A PERGUNTA: por que os campos de concentração mexem tanto com o imaginário do Brasil e por que sempre se repetem nas secas, a mortandade e a emigração das vítimas??? Repercutem também na grande mídia internacional. Glauber Rocha foi premiado internacionalmente com seus filmes retratando o sertão e o drama da vida dos sertanejos. Criando um novo cinema no Brasil. Mas em 1932, a tecnologia do uso de campos de concentração, assim diria Foucault, foi aperfeiçoada como nunca. Já na Era Vargas, que com um golpe, aniquilou a República dos Coronéis. Nascia o pai dos pobres, o salvador do Nordeste, em guerra com o Estado de São Paulo, para onde mandaram muitos dos concentrados nos campos, o grande Exército do Norte.


Há outros prédios e havia 160 casas de taipa na Vila Operária
Conheças alguns dos principais prédios do Sítio Histórico

DA TECNOLOGIA DO APERFEIÇOAMENTO DOS CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO DA SECA DE 1932: Em 1932 foram construídos 07 campos de concentração. Desta feita os campos foram ao encontro das vítimas da seca, mantendo os flagelados no interior, embora em Fortaleza tenha funcionando 02 campos de concentração, eis os 07 campos de concentração:

1) Foi reaberto o Campo de Concentração do Matadouro, com nome de Otávio Bonfim.
2) Foi criado o Campo de Concentração do Urubu, dando origem ao bairro do Pirambu, Fortaleza.
3) Foi criado o Campo de Concentração de Quixeramobim, que durou menos de 03 meses.
4) Foi criado o Campo de Concentração do Patu, Senador Pompeu, o mais isolado, quente e fatal.
5) Foi criado o Campo de Concentração de Cariús.
6) Foi criado o Campo de Concentração do Buriti, no Crato
7) Foi criado o Campo de Concentração do Ipu, único da região Norte do Ceará.

Só o Estado do Ceará, que também costumava receber flagelados da Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Piauí, teve a experiência dos campos de concentração nas grades secas. Alguns dos claros objetivos dos campos de concentração:

a) Evitar que milhares de flagelados chegassem a Fortaleza desordenadamente.
b) Serem utilizados como mão de obra escrava, trabalhando em troca de comida.
c) Evitar saques de alimentos no comércio.
d) Manter a ordem social, evitar prostituição, furtos e assaltos.
e) Enviar excesso de flagelados como mão de obra barata para o Sudeste do Brasil.
f) Utilizar  excesso de flagelados para povoar o Maranhão, Pará e Região Norte.
g) Manter flagelados o suficiente no Ceará como mão de obra para quando voltassem as chuvas
h) Usar como mão de obra escrava para construção de obras públicas (cemitérios, cadeias, etc)


Mapa de todo percurso da Caminhada da Seca
Elaboração: Valdecy Alves

O CAMPO DE CONCENTRAÇÃO DO PATU - DA SUA IMPORTÂNCIA E PORQUE É O CAMPO DE CONCENTRAÇÃO MAIS PRESERVADO DO CONTINENTE AMERICANO: Há algo de comum em todos os campos de concentração de todas as secas, do Império à República. Quando os campos eram extintos, tudo era destruído. Juntavam-se restos das barracas, roupas, documentos e uma enorme fogueira apagava os resquícios de um crime do Poder Público contra direitos humanos universais e fundamentais. De um genocídio. É cultura do Estado brasileiro apagar a história quando o Estado é o vilão. Aliás, ser vilão na história é seu papel predileto. Bastando citar Canudos, na Bahia, Caldeirão de Santa Cruz do Deserto, no Crato. Tentaram apagar pelos mais variados meios a memória dos massacres.

O Campo de Concentração do Patu foi criado no dia 26 abril de 1932. Funcionaria na Vila Operária, na verdade no canteiro de obas abandonado do Açude do Patu, cujas obras tiveram início na seca de 1919 e foram suspensas em 1923, durante o governo Epitácio Pessoa.  havia uma extensão de linha férrea da sede do Município de Senador Pompeu até a Vila Operária, composta por 12 casarões, armazéns e 160 casas de taipa. Todavia, foram tantos os flagelados, que após ocupados todos os imóveis, também construíram barracas. O próprio local, construção inglesa, até mesmo com influência arquitetônica gótica, um documento vivo da velha discriminação dos governantes do sudeste, quando chefiando o governo federal, e do fracasso da política da açudagem. 

O Campo de Concentração do Patu era o mais isolado e mais quente de todos, com menos água. Foi onde morreram relativamente mais pessoas,  cerca de 50%, calculando-se pelos relatos dos sobreviventes. Já que eram enterradas sem óbito e todas as fichas de inscrição, dos concentrados, desapareceram. Foi tal o abandono, a exploração da mão de obra escrava, a corrupção que desviou recursos, bens e alimentos, que o martírio que produziu, deu origem a um surto messiânico que santificou as almas dos mortos enterrados no cemitério clandestino onde foram enterrada grande parte das vítimas. O CEMITÉRIO DO PATU OU CEMITÉRIO DA BARRAGEM. Até hoje, romeiros do Sertão inteiro pagam promessas e anualmente, todo segundo domingo de novembro de cada ano,  realiza-se a Caminhada da Seca, em memória das almas santificadas pelo povo, através da religiosidade popular, quando milhares de pessoas, saem por volta das 05 h da manhã, de frente da igreja matriz, até o Cemitério do Patu, pagar promessas e participar da missa.

Por ter sido instalado em prédios de alvenaria, no canteiro de obras abandonado do Açude do Patu, construído pela empresa inglesa Norton Griffiths & Company, pelo surto messiânico, pelo genocídio fruto do abandono, pois tinha apenas um médico, o prefeito de Senador Pompeu, que de quando em quando aparecia por lá, falta de higiene, promiscuidade, alimentos de péssima qualidade e insuficientes em quantidade e qualidade... mortes que se iniciaram em junho de 1932 e perduraram até o final do campo em março de 1933... É O  ÚNICO CAMPO DE PRESERVAÇÃO PRESERVADO, CONHECIDO E FAMOSO DE TODOS... DAS SECAS DO IMPÉRIO ATÉ AS SECAS DA REPÚBLICA VELHA E DO ESTADO NOVO. NA VERDADE O ÚNICO CAMPO DE CONCENTRAÇÃO PRESERVADO DA AMÉRICA, em que foram segregadas multidões por questão de discriminação e exclusão social. Abaixo vídeo sobre a Caminhada da Seca em memória das vítimas do Campo de Concentração do Patu, que se realiza anualmente:




O CAMPO DE CONCENTRAÇÃO DO PATU É AUSCHWITZ DA AMÉRICA: Não existe influência direta dos campos de concentração nazistas e os campos de concentração das secas do Ceará.  A terminologia campo de concentração surgiu no Ceará, na Seca de 15. Todavia, ambos se alicerçam e bebem da mesma matriz ideológica do darwinismo social, de origem inglesa, e na eugenia, que os alemães levaram aos mais absurdos limites.  Pois os mestiços nordestinos sempre foram discriminados e tidos como raça inferior. Nas notas preliminares do clássico, Os Sertões, no início do livro, que merece ser lido e é um dos maiores clássicos da literatura do mundo, Euclides chama os nordestinos de sub-raça destinada à extinção. Mesma terminologia usada  por Marechal Rondon, em relatório que ele fez quando visitou as ruínas do canteiro de obras do Patu, mesmo por Rodolfo Teófilo em seus relatórios. Sendo importante destacar que a Constituição da Ditadura Vargas de 1934, em seu artigo 138, "b", coloca como dever do governo e da sociedade estimular políticas de eugenia, que até os dias atuais dão origem a discriminação de nordestinos, em estados do Sul e do Sudeste. Tanto os campos nazistas como os campos das secas utilizaram mão de obra escrava, alimentava mal os prisioneiros, impediram o direito de ir e vir, utilizaram trens para facilitar transportes para trabalhar ou aprisionar, rasparam as cabeças de homens e mulheres, tratando os prisioneiros como raça inferior, degenerados... afinal o negro era coisa... o índio não era gente porque não tinha alma... os mestiços... mesmo com parte do sangue europeu só podia ser coisa, jamais gente... com problemas genéticos e também com problemas mentais....





O CAMPO DE CONCENTRAÇÃO DO PATU é um documento vivo de como o Estado Brasileiro sempre tratou os que nunca receberam terras na política das sesmarias, os mestiços, os sertanejos. Tratados como servos. Quando brasileiro, por omissão e falta de espírito republicano, falta de solidariedade cristã, tratou brasileiro como nazistas trataram os judeus. Como coisa. É um documento que testemunha o nascimento da política da açudagem como meio de combate às secas, dando origem ao Ifocs, depois ao Dnocs. Fundamental dizer que todas as vítimas dos campos de concentração das secas, desde 1877 a 1932, têm o mesmo perfil de Antonio Conselheiro, do povo de Canudos... o mesmo perfil de Beato Lourenço e  povo de Caldeirão de Santa Cruz do Deserto, no Crato... e todos os descendentes deles, hoje nas periferias das grandes cidades, vítimas do abandono, de políticas públicas ineficazes e da escalada da violência sem fim. Para o Brasil ser realmente uma nação, uma pátria mãe gentil, como no hino nacional, precisa compreender estes grandes fatos históricos como Canudos, Caldeirão e os Campos de Concentração das Secas do Ceará... sob pena de jamais serem alcançados os objetivos contidos no artigo 3º e incisos da Constituição da República. POIS CONSTITUEM A MEMÓRIA QUE GRITA  DO PASSADO PARA  O PRESENTE... PARA QUE SE APRENDA COM A HISTÓRIA... PARA QUE NÃO REPITAM OS MESMOS ERROS... POIS É FATO QUE O BRASIL... SEU POVO E SEUS GOVERNOS NÃO APRENDEM COM AS LIÇÕES DO PASSADO. Por isso, o Campo do Patu, precisa, necessita e tem que ser preservado. E seus lamentos ecoam no mundo inteiro... ouvidos por toda a humanidade.





Foto: Mara Paula

O CASARÃO
(Aos casarões do Campo de Concentração de Senador Pompeu)

Majestoso sobre  o alto
Solitário, antigo, assombroso...
Por contínuos ventos açoitado
Banhado por odores da mata
Sempre desperto... atento... majestoso
Furtando cor aos raios do sol
Ou sob a beleza de sem igual luar

Templo de morte e de vida
Palco de dor e desespero
De incontáveis ais de morrentes
De inúmeros ais de amor!

Hotel de morcegos e corujas
Sistina de pervertidos desenhistas
Metade de inferno
Cinqüenta por cento paraíso!

Janelas são olhos contemplativos
Portas bocas que falam
Aos ouvidos sensíveis
Os caibros absurdos sonoplastas
.........................................
Vem o sol, vão-se as chuvas
Vêm os amantes, vão-se as gerações
O casarão fica
Engolindo, fazendo e cuspindo história...
Uma voz revoltada do passado
Arauto das valas do cemitério
Cuja voz ecoa no por vir!
                                        (De: Valdecy Alves)





FUTURO: O mínimo de futuro para o Sítio Histórico do Campo de Concentração do Patu,  pós-tombamento, NO MEU ENTENDIMENTO QUE AQUI CONFIRO O STATUS DE SUGESTÃO, também chamado Vila dos Ingleses, é ser transformado num parque, toda a parte histórica integrada ao meio ambiente, preservando toda a caatinga, criando trilhas, identificando cada planta... garantir acesso ao alto da Serra do Patu, recuperar o que pode ser recuperado e ocupado, evitar que piore o estado de ruínas irrecuperáveis. O Cemitério do Patu uma de suas partes mais importantes, pois simboliza a memória imaterial, chegada da Caminhada da Seca, que já atrai o turismo religioso. Já o Casarão principal, conhecido como Casarão da Inspetoria, maior símbolo do Patrimônio material deveria ser transformado no MUSEU DOS CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO E DAS SECAS. A vila operária, basta ser sinalizada e manter preservado o que lá tem de ruínas.   Com o tombamento. E todo este parque entrar na rota turística do Ceará, treinando pessoas locais de como atuar ao receber turistas. O Açude do Patu tem como oferecer lazer e um bom peixe frito. Dos guias aos taxistas, dos mototáxi aos hotéis. Integrar visitas ao parque com peças como a Paixão de Cristo, em abril, São João em Junho, férias de julho, festa da padroeira, semana do Município, Caminhada da Seca etc. Mantermos a luta para conclusão do tombamento estadual e federal. envolver cada vez mais os alunos e as escolas.  SEMPRE LEMBRANDO DA IMPORTÂNCIA DA PARTICIPAÇÃO DA SOCIEDADE CIVIL, DAS ESCOLAS E DE TRATAR-SE DE UMA LUTA SUPRA PARTIDÁRIA, SUPRA GERACIONAL A LUTA QUE ENVOLVE A PRESERVAÇÃO DA MEMÓRIA MATERIAL E IMATERIAL DO CAMPO DE CONCENTRAÇÃO DO PATU. QUEM QUER QUE CHEGUE AO PODER DAR CONTINUIDADE À LUTA COM ESPÍRITO REPUBLICANO E HUMANISTA.

domingo, 30 de junho de 2019

LANÇADO DOCUMENTÁRIOS SOBRE A HISTÓRIA DOS CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO DAS SECAS DO CEARÁ NO INSTITUTO HISTÓRICO DO CEARÁ - HOUVE VISITA GUIADA AO ACERVO DO INSTITUTO E DEBATE DE ALTO NÍVEL ENTRE O PÚBLICO PRESENTE E O DOCUMENTARISTA VALDECY ALVES

Público que participou do debate no final
Fotos: Mara Paula - Wandara e Orion 

O EVENTO FOI UM SUCESSO - COM PÚBLICO DE ALTO NÍVEL - NA SEDE DO INSTITUTO HISTÓRICO DO CEARÁ - AO LADO DA PRAÇA DO CARMO:  O primeiro documentário exibido abordou o Campo de Concentração de Quixeramobim e de Ipu na Seca de 32. Em seguida, o segundo documentário tratou da Caminhada da Seca, evento anual realizado na cidade de Senador Pompeu, Ceará, todo segundo domingo de novembro de cada ano. Em 2019 serão 37 Caminhadas da Seca. Quando, não menos que 5.000 pessoas caminham cerca de 03 km, da Igreja Matriz de Senador Pompeu até o Cemitério da Barragem, no Sítio Histórico do Campo de Concentração do Patu. Em memória das vítimas do Campo de Concentração, onde proporcionalmente morreu mais concentrados. O único Campo de Concentração de todas as secas, que se encontra preservado. O terceiro documentário foi sobre os 03 grandes campos de concentração do Patu, Buriti e Cariús. Trabalho autônomo e autoral. Por fim um debate que abordou os mais variados temas, a partir dos documentários exibidos.

Debatendo com o público





Mara Paula
Coordenando o evento
DEBATE SOBRE OS MAIS VARIADOS TEMAS: No final houve debate com o público presente, que abordou os mais variados temas: Messianismo, injustiça social, colonização do Ceará, a Guerra dos Bárbaros, democracia, Canudos, Caldeirão, mínimo existencial,  preservação da memória, proteção ao patrimônio cultural material e imaterial. Procurando compreender o presente do Ceará e do Brasil através da memória e concluindo que só será possível a construção de uma verdadeira nação brasileira, que garanta o mínimo existencial e a dignidade humana, a partir da compreensão e da aprendizagem com os erros do passado.  Mas o Brasil não teme aprendido com sua própria história. 

Visita guiada com o público
Ao acervo do Instituto Histórico do Ceará


VEJA ABAIXO MAIS FOTOS DO EVENTO 
MOMENTOS DO DEBATE



No debate

Edna Martiniano - Fortalecimento da democracia direta e movimentos sociais

O Thiago trouxe o debate para ao campo do messianismo

Ricarlos abordou a questão da eugenia e discriminação de nordestinos

Lara tratou da relação do Campo de Concentração de Quixeramobim e Açude do Choró

Fabrício Paiva - abordou a preservação da memória e tombamento





Dr. Mardônio falou sobre a situação de intolerância e discriminação nos dias atuais

ABAIXO OS 03 DOCUMENTÁRIOS  LANÇADOS E REALIZADOS DE FORMA INDEPENDENTE E AUTORAL 
CLIQUE NA IMAGEM E ASSISTA:






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