sábado, 25 de outubro de 2008

O CASO ELOÁ - A Imprensa – Polícia e Crime Passional

Um namorado ciumento, imigrante pobre e com pouca educação, que se achava proprietário da mulher que não mais o queria, que tinha novo namorado, contando com a cumplicidade da amiga, colega de escola. Nos tempos modernos, onde o orkut é uma extensão dos contatos e da sensualidade, os corpos são colocados como numa vitrine de carne virtual, capaz de excitar o mais tímido dos impotentes, onde a ética imposta é aquela das novelas, onde tudo acontece como cada um queria que acontecesse de bom para si e não deseja que o mesmo aconteça com alguém da sua família: A REALIDADE VIRTUAL DA TV X A REALIDADE REAL DO DIA-A-DIA DE CADA UM. Para completar uma imprensa que transformou o desastre em show, a tragédia em meio para o lucro e para completar uma polícia mal paga, mal treinada, sem condições adequadas de trabalho. EIS OS INGREDIENTES QUE NÃO PODEM FALTAR A UMA TRAGÉDIA PREVISÍVEL.

A IMPRENSA: A cobertura do caso não está ligada ao direito à informação, nem à formação para cidadania. Porém ao mais barato sensacionalismo, numa novela escrita ao longo da cobertura, onde o NAMORADO LOUCO E POSSESSIVO faz parte do espetáculo, conduzido e tangido pelas entrevistas, acreditando que tinha algum poder, quando não passava de um peão no grande jogo de xadrez. A novela residia nos seguintes impasses: Vai matar ou não vai matar ! A polícia vai invadir ou não vai invadir ! O que fará o traído ?

O assassino, o pobre namorado, a burra coleguinha de sala de aula, com apelido de barbie, que no Orkut criou a comunidade das “glamourosas”, escrevendo um português de analfabeto, mostrando a péssima qualidade da educação nesse país, não passaram de uma boiada conduzida pela imprensa vaqueira, para os grandes currais de audiência, onde estão os milhões de espectadores atrás do tubo luminoso, loucos para comprar os produtos anunciados e não podem. Tão vibrantes com a violência quanto aqueles que freqüentavam o Coliseu na antiga Roma. SÓ FALTOU SAIR SANGUE DA TV.

O primeiro estágio da audiência: O CÁRCERE PRIVADO; o segundo estágio da audiência: HOUVE OU NÃO O TIRO CAUSADOR DA INVASÃO TRAGICÔMICA ? O terceiro estágio da audiência: ELOÁ VAI OU NÃO SOBREVIVER ? O quarto estágio da audiência: OS ÓRGÃOS SERÃO DOADOS ? O quinto estágio da audiência televisiva: COMO FICARÁ NAIARA APÓS O TIRO, QUANDO IRÁ DEPOR ??? O sexto estágio mostrando OS BENEFICIÁRIOS DOS ÓRGÃOS DOADOS. De quebra, a realidade sendo mais criativa que a imaginação: a novela do Pai de Eloá, assassino foragido, que antes fazia parte da mesma polícia incompetente pelas razões expostas acima.

APARENTE MORAL DA HISTÓRIA PARA OS TOLOS: Faça o bem e ninguém nunca o aplaudirá. SEQÜESTRE A NAMORADA QUE O TRAIU OU UMA ESCOLA CHEIA DE CRIANCINHAS VOCÊ SERÁ UMA ESTRELA NACIONAL. Se for uma mulher bonita ainda pousará para Playboy. Um big brother sem necessidade de seleção.

A POLÍCIA: Uma das mais mal pagas do Brasil. Sem equipamento. No quarto vizinho ao apartamento do assassino escutava o sons ali produzidos com o auxílio de um copo encostado na parede. Polícia também pobre, cujos policiais não tiveram acesso à educação, sem condições adequadas de trabalho, ultimamente cassada nas ruas pelo PCC. Estava assim anunciado que só lhe restaria ser ator coadjuvante do triste espetáculo. Como Ofélia em Hamlet. Um desastre !

CRIME PASSIONAL: O assassino vítima do despreparo, da falta de maturidade, que se achava o vingador de todos os homens traídos, possessivo, machista e tolo. Na cadeia ! Como deve terminar todos os maus. Não é assim na novela ? Não poderia ser diferente ! Mas o que cada um, a sociedade e os governantes têm a ver com tal roteiro ? Ninguém questionou. Os psiquiatras, os psicólogos, os especialistas, os peritos, os novos Freuds... Tanta teoria. Uma cachoeira de asneiras. Deviam ser capazes de ter teorias pra evitar, não pra explicar o que está na cara e é fácil de entender ! Na novela televisiva o grande vilão. PAPEL QUE ACEITOU DE BOM GRADO !

A VÍTIMA: Tão vazia quanto o assassino. Tão vazia quanto Naiara. Vítima de um pai irresponsável foragido, com nome falso que levou toda a família a esconder-se até de suas origens... vítima da péssima escola... Encontrou por algum tempo a liberdade e a falsa felicidade na sensualidade excessiva da virtualidade, que poderia ser real e com responsabilidade, sem risco de gravidez e de medo, se realmente os jovens fossem educados sem mentira para vida. NO CEMITÉRIO ! Uma história de amor ao avesso: ROMEU NA CADEIA. JULIETA NO CEMITÉRIO. A imprensa encontrará novas tragédias, como após o caso Nardoni, teve o Caso Eloá. Quem sabe alguém se suicidando do alto da antena ou da torre elétrica !

Viva ao circo ! Viva ao Coliseu Eletrônico ! Viva aos gladiadores do orkut ! Viva aos imitadores do assassino, que virão. Enquanto isso os governantes continuam os mesmos. Beba, mas não dirija ! Olhe os traficantes de armas ! Traficantes de órgãos ! Traficantes de seres humanos ! Viva ao consumo sem fim ! Todos podendo ter gera inflação ! Ninguém podendo comprar nada gera recessão ! REALMENTE DEVEMOS MUDAR O MUNDO. A coisa está de cabeça para baixo ! Desse jeito as formigas e as abelhas, que são classificadas como irracionais, estarão melhor que nós em seus formigueiros e colméias !

Embrionária



Dedico esta poesia aos que lutam pela preservação do meio ambiente, por entender que a humanidade é uma extensão e parte dele e que todos os seres vivos têm o mesmo direito à vida, que os que se dizem racionais têm.


A humanidade
É embrião
Que ansioso
Para dominar
O além nascimento
Começando por roer as unhas...
Passou a devorar o útero
Que a aloja
...... Poderá nem nascer !
Valdecy Alves

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

DIA DO PROFESSOR - Via Crucis e Percalços do Educador Brasileiro

Euclides de Alexandria (360 a.C.295 a.C.)


“O professor não ensina, mas arranja modos de a própria criança descobrir. Cria situações-problemas."
Jean Piaget


O professor realmente é um desses profissionais que merece ter o seu dia: O DIA DO PROFESSOR! Merecidamente: Viva ao professor ! Um dia clássico na imaginação de quem foi estudante. Também quem não foi nada é. Não se trata de um dia para lembrar do professor, também não de apenas homenagear. MAS UM DIA EM QUE TODA A SOCIEDADE: pais, mães, alunos.. dizem obrigado ao profissional, que tem importância real pata todos. O dia do professor poderia ser traduzido como: NOSSO MUITO OBRIGADO ! Quando se fala professor, entendam-se todos os profissionais envolvidos na educação, todos os cargos, homens e mulheres.

PODEMOS AFIRMAR QUE O PROFESSOR TEM O RECONHECIMENTO MORAL DA SOCIEDADE, MAS TEM TAL RECONHECIMENTO TRADUZIDO SOBRETUDO EM SALÁRIO, QUE LHE PERMITA UMA EXISTÊNCIA DIGNA ? ATÉ PORQUE PARA CONTINUAR PROFESSOR TEM A NECESSIDADE DE PRIMEIRO SOBREVIVER E PARA DEDICAR-SE PRECISA DE TEMPO E DE FORMAÇÃO CONTÍNUA ! ENTRE OUTROS.

Tal data é antiga, bem anterior ao atual debate da qualidade da educação. Quando o professor era homenageado, mesmo nos tempos dos suplícios, de colocar o aluno de joelhos, no tempo da palmatória. O professor é aquele que tem de ter conhecimento que possa transbordar de si para os outros, que educa, que forma... AQUELES QUE SÃO FILHOS DOS OUTROS, OS FILHOS DA SOCIEDADE. Que vigia, sobretudo a questão do aluno com dificuldade, que esteja usando droga, que possa estar sendo vítima de qualquer tempo de violência, que muitas vezes vitimiza até o professor, que sofre agressão, tem o carro riscado, etc. Espécie de amigo, psicólogo, de terceiro pai, que tem até o poder de vigiar os pais quanto ao seu papel com os filhos, denunciando-os, muitas vezes, às entidades cabíveis. TUDO ISSO A SOCIEDADE, O ESTADO COBRAM DO PROFESSOR. Mas o professor está treinado para isso ! Está preparado para isso ! Tem ferramentas para tal papel ? Ganha para exercer tão complexo mister ?!?

O Estado ao fazer concurso público geralmente publica um edital que de tantas exigências mais parece um livro. Exige formação, força, juventude, cobra a inscrição caro, saúde, mil e uma funções... Não há um candidato a cargo majoritário, seja municipal, seja estadual, seja federal, que não utilize a educação como plataforma de suas principais promessas de campanha e na prestação de contas do que fez de melhor. Bom lembrar que no artigo 205, Constituição Federal, o Estado impõe ao professor o dever de preparar plenamente o aluno para cidadania, sua qualificação para o trabalho.

MAS ESSE MESMO ESTADO, SOBRETUDO O ESTADO-MUNICÍPIO, QUE CUIDA DO ENSINO FUNDAMENTAL, ESTÁ VALORIZANDO SEUS PROFESSORES COM PLANOS DE CARREIRA QUE REALMENTE INCENTIVEM O PROFESSOR A DEDICAR-SE TOTALMENTE À SUA MISSÃO ? ESTÁ RESPEITANDO A GESTÃO DEMOCRÁTICA ? FORNECE CONDIÇÕES ADEQUADAS DE TRABALHO ? INVESTE NA FORMAÇÃO CONTÍNUA DO PROFESSOR ? PAGA UM PISO SALARIAL DIGNO ? Muitas vezes têm-se prefeitos e secretários de educação autoritários ou analfabetos, que compromisso algum têm com a educação. Esse mesmo Estado não traz a sociedade para escola, nem incentiva a participação da família no processo educacional. Recentemente criado um piso nacional unificado para o professor em todo o Brasil, a principal reação dos governantes foi investir contra o piso, em vez de lutar por mais recursos. QUE A CONTA FIQUE COM O PROFESSOR ! Eis a tradução.

O professor ou professora antes de ser educador é gente, tem necessidades, tem filhos, tem o direito de sobreviver com dignidade. Enquanto sobreviver for um desafio, ter a dignidade respeitada, houver desrespeito à sua cidadania, não há como esperar do professor o que cobram. Muitos profissionais para não morrerem de fome têm de dar aula de reforço em outros horários, arranjar bicos, vender produtos de porta em porta, etc.

O educador necessita ter bolsas para estudos e aperfeiçoamento contínuo, ter respeitada a gestão democrática, piso realmente digno. Sem condições adequadas de trabalho tudo não passará de intenção, Assim será como querer um campeão de fórmula 01, correndo numa bicicleta com o pneu furado. A partir daí, observados esses pontos básicos, o professor tendo o respeito e todas as ferramentas adequadas para desempenhar sua missão, metas traçadas democraticamente, a participação da família, da imprensa, da sociedade, a revista Veja poderá culpá-lo pela qualidade da educação. O repórter não devia esquecer-se que foi educado um dia por um humilde mestre.

Importante, então, um debate aprofundado do que o Estado quer, do que a sociedade quer, do que o professor precisa, do que o professor é capaz de dar. Num tempo em que o professor é tudo, remédio para todos os males da sociedade. Assim chegando-se ao denominador comum, se existem razões de sobra para homenagear o professor nos tempos passados e atuais, imagine-se agora e no futuro ?

PARABÉNS PROFESSORES, QUE FORMARÃO O ALUNO PARA PLENA CIDADANIA. ENSINEM E DÊEM EXEMPLO DE CIDADANIA ATRAVÉS DA LUTA, DA UNIÃO, DE CADA UM SENDO UMA GOTA QUE FORMARÁ CADA RIO, QUE CORRERÁ PARA O GRANDE MAR DA EDUCAÇÃO COM QUALIDADE. EDUCAÇÃO DE ONDE BROTARÃO TODAS AS ÁRVORES DO FUTURO SOCIAL DA HUMANIDADE. HORA DE RELATIVO CAOS DO PAPEL DO PROFESSOR, DE SUA VALORIZAÇÃO, DA CONSTRUÇÃO DE NOVOS DEVERES E DIREITOS. Hora de consciência e luta, até porque quando se debate o futuro do professor, debate-se o futuro da educação, debate-se o destino da própria humanidade. O professor não é mais um personagem apenas na imaginação do aluno, nem só do município, nem só do Brasil, mas personagem de importância universal !

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

SENADOR POMPEU


ESPERO QUE OS LEITORES DE SENADOR POMPEU CONHEÇAM MELHOR SUA TERRA, PARA QUEM MORA FORA QUE SINTA SAUDADES E PARA QUEM É DE OUTRA TERRA QUE CONHEÇA SENADOR POMPEU.



Movida pela paixão de um povo a sua querida terra, que tão receptivamente nos acolhe como uma mãe, com efusivas congratulações comemoramos este ano o centésimo décimo segundo ano de fundação desta cidade denominada Senador Pompeu.

Situada bem no seio do Sertão Central, que sob o sol ardente do Ceará foi erguida através do árduo trabalho de seus filhos que sempre sonharam com o progresso que foi escrito desde outrora em sua história, cuja origem ainda remota ao século dezoito ou, mais precisamente no dia vinte e sete de março de mil setecentos e vinte e três a partir das doações de terras concedidas pelo Governo Português, na pessoa do Capitão Mor Manoel Francês, aos desbravadores Tomé Callado e Nicolau de Souza, para ocupação do território, evitando dessa forma, uma possível ocupação dessas terras por outras nações.

De acordo com a historiografia local o nosso Município teria surgido das duas sesmarias de três léguas destinadas a cada um dos desbravadores as margens do Rio Codiá, de onde formar-se-ía um pequeno arraial denominado Humaitá, de origem Tupy-Guarani que significa em outras palavras: aquele que muito fala.

Neste mesmo período, aconteceram outras ocupações de terras sendo que estas eram feitas de forma espontânea, uma vez que muitos comerciantes e tropeiros dos mais variados lugares ao fazerem suas travessias pelos Rios Patú e Codiá acabaram por aqui ficando. Com o desenvolvimento das atividades agropastoris, evoluiu igualmente a estrutura urbana, pois um dos fatores que assegurou a formação da vila foi a fertilidade das terras de Humaitá, propícias ao cultivo das mais variadas culturas. Por esta razão a população senadorense herdou poucos traços dos seus primeiros habitantes indígenas, haja vista que a maior parte de sua gente foi constituída de pessoas vindas de outros lugares.

Entretanto, a vila de Humaitá que contava com cerca de duzentas casas que viviam sob tutela administrativa do Município de Quixeramobim só foi constituído Município aos três de setembro de 1896, no Governo do Comandante Antônio Pinto Nogueira Acioly, sogro do Senador da República Tomás Pompeu de Souza Brasil, o idealizador e patrono da estrada de ferro no Ceará, o qual tornou-se ícone do desenvolvimento Regional e orgulho para os nossos munícipes que o agraciaram com o nome de nossa cidade. Haja vista, que o comércio do algodão e a ferrovia estimularam o aumento populacional, já que as pessoas se sentiam atraídas pelo grande movimento da praça comercial.

A chegada da estrada de ferro, no dia dois de julho de mil e novecentos, também estabeleceu a ligação do Sertão Central como a capital, agilizou a forma de locomoção da população que até então era feita a tração animal, causando um grande fluxo de visitantes, passageiros. Haja vista, que o comércio do algodão e a ferrovia estimularam o aumento populacional, já que as pessoas se sentiam atraídas pelo grande movimento da praça comercial.



E a produção algodoeira possibilitou uma série de mudanças, entre elas se destaca o perfil da cidade que a partir daí passou a se modernizar e a contar com agências bancárias, (Banco do Brasil e Banco Econômico), clubes sociais, hotéis, estabelecimentos comerciais. Dessas pequenas edificações ao redor dos trilhos, num pequeno intervalo de tempo se transformaram em ruas, tornando o nosso Município um ponto de referência para toda a Região do Sertão Central.

Além disso, muitas pessoas tinham a estação ferroviária como um espaço dinâmico que fazia parte da sua vida, pois, diariamente uma parte da população entrava em sintonia criando uma relação de sociabilidade e possibilitando assim, um intercâmbio cultural, já que as pessoas que queriam viajar nos trens para a Capital do Estado ou para a Região do Cariri vinham embarcar ou receber mercadorias em nosso Município.

Dessa forma, as cenas do cotidiano do nosso povo giravam em torno da estação que além de servir de encontro, partida e lazer da população numa época em que a televisão não tinha ocupado o espaço que tem hoje. Servia, sobretudo, ainda como meio de sobrevivência, pois era ali que muitos vendedores ambulantes, num verdadeiro espetáculo de malabarismo e gritos vendiam, paro o sustento de sua família, café, bolo, água fresca na quartinha, e outros atrativos aos passageiros.

Portanto, a ferrovia ao mesmo tempo em que intensificava o comércio local trazia o progresso para a nossa cidade, já que fora nessa época em que foi instalado, também o telégrafo na Estação para que as pessoas ficassem em sintonia com os acontecimentos e as novidades que iam chegando ao Município.

Um outro elemento fundamental que desencadeou esse apogeu econômico, nas décadas de quarenta a sessenta em parceria com a ferrovia, foi o cultivo do algodão, que teve seu desenvolvimento como seqüela da Revolução Industrial e do incremento dessa cultura na década de mil novecentos e sessenta, quando os Estados Unidos principal fornecedor de algodão estavam envolvidos na Guerra de Secessão e o Ceará tornou-se nesse cenário, o principal fornecedor em grande escala no mercado europeu, exportando a produção que vinha dos pólos produtores do interior do Estado.

Então, por sua condição de núcleo produtor e aglutinador da produção rural que seria transportado pelos trens, Senador Pompeu, alcançou uma posição de destaque das demais regiões, sobretudo pela produção algodoeira, quando houve a instalação de um pólo industrial constituído de cinco indústrias de beneficiamento de algodão: SICAL - Sociedade Industrial Comercial de Algodão, SAMBRA – Sociedade Algodoeira do Nordeste Brasileiro, Exportadora Jucás, INDEX e Algodoeira Borges. As quais realizavam também outras atividades ligadas à fabricação de óleo vegetal, sabão, beneficiamento de milho e arroz. O que tornava a cidade atrativa, um centro convidativo para visitantes que aqui chegavam à procura de emprego ou de investimento no Comércio.

Com o binômio algodão e ferrovia, houve um verdadeiro intercâmbio comercial nunca antes percebido em nosso município, o qual foi adotando aspectos modernos e a sociedade foi assim assumindo um novo perfil com os mesmos padrões de comportamento das elites fortalezenses. E para atender os anseios desta, foi criado a AABB Comunidades – Associação Atlética do Banco do Brasil, para o lazer dos funcionários do Banco do Brasil e para promover festas, programas de auditório, carnavais e bailes de reveillon, os quais ganharam destaque nas regiões circunvizinhas e na capital. No entanto, a atração maior era o concurso da Rainha do algodão, uma festa social, de cunho comercial, que contava com o apadrinhamento de personalidades ligadas ao setor algodoeiro. Já as camadas de menor poder aquisitivo eram excluídas do acesso aos clubes restando-lhes como opção, as festas nos salões de residências simples, onde dançavam ao som dos sanfoneiros da terra, como o famoso Chico Mineiro.

A principal diversão da cidade, entre outras ficava, entretanto, por conta das amplificadoras, que contagiavam os jovens as noites, que se reuniam na praça para ouvir as mensagens e as cantigas, etc. O cinema também foi outra atração que deixou sua marca na cidade, pois, o Cine Humaitá tinha antes, o mesmo alcance da televisão nos dias atuais, funcionava em três sessões diárias, sendo que à noite, o horário prolongava-se até ás vinte e duas horas. As novidades nas telas atraíam tanto as pessoas que muitas vinham das outras regiões e pernoitavam na cidade, e os mais fiéis espectadores do cine Humaitá chegavam até a se deslocar da zona rural por meio de montarias em lombo de animais.

Com um olhar voltado para o futuro passou-se a investir em educação, os centros educacionais Ginásio Nossa Senhora das Dores e o Ginásio Cristo Redentor desempenhavam a função de educar e encaminhar para o mercado de trabalho profissionais de qualidade, funcionando em regime de externato e internato. Os cursos eram tão bem conceituados que elevaram a cidade à posição de Celeiro Cultural da Região, vindo alunos até de outros Estados como o Piauí e Maranhão.

Um outro símbolo marcante da história do nosso povo e que se perpetua na memória dos munícipes de Senador Pompeu é a Barragem do Patú, que apesar de não ter sido tombada ainda como patrimônio natural e histórico, congrega todo um conjunto arquitetônico composto por casarões construídos em mil novecentos e dezenove para abrigar os engenheiros da empresa inglesa DWIGHT P. ROBINSON S CO, que seria responsável pela construção da barragem. Foram construídos seis casarões. Entre eles um da inspetoria que é localizado em ponto estratégico em cima de uma colina, o que possibilitava ao inspetor geral de toda a obra a visualidade de todos os casarões. Contudo, é o que atualmente encontra-se em pior situação de degradação, pois quase todo o teto caiu, as portas acabaram-se ou foram saqueadas, mas mesmo nesse triste estado de degradação podemos perceber a suntuosidade e o charme da perfeita mistura da arquitetura inglesa com a influência da casa de fazenda nordestina.

Além desse, foi construído também para os engenheiros dois casarões, localizados logo abaixo do casarão da inspetoria e três casarões para os funcionários que se localizam bem a beira da estrada que liga a sede do Município a Barragem. A casa de pólvora também foi outra construção de pedra, coberta com um frágil telhado de cerâmica, com um compartimento para guardar a pólvora que seria utilizada na obra. Esta casa ficou logo a margem da estrada que liga o açude e a sede do município, foi construído além dessas, a casa da luz para gerar energia para a construção da barragem, um hospital para cuidar dos enfermos da vila, uma ferrovia e um armazém para guardar os alimentos.

Mas, por ironia, aquela Barragem que seria para o bem da população tornou-se mais um rio vivo de pessoas que perderam suas vidas naquele massacre desumano contra a fome. Conta-se que em mil novecentos e trinta e dois, ocorreu no Ceará uma grande estiagem, as pessoas migravam para a capital para pedir socorro ao governo do Estado que temia grandes saques, porque colocaria em risco a cidade de Fortaleza. Então, como medida preventiva o Governo criou “os campos de concentração” de flagelados no interior do Estado. Foram muitos, mas o de nossa cidade, teve uma particularidade que se tornando ímpar na história dos campos, foi localizado exatamente na vila dos operários ingleses.

Segundo depoimentos de alguns sobreviventes desse massacre, as pessoas eram atraídas para estes campos com a promessa de que lá teriam alimento e trabalho, mas depois que estas entravam ficavam aprisionadas e se tenteasse fugir eram aprisionadas e perseguidas e até mortos. Estes flagelados recebiam feijão preto, que nem se que cozinhava, farinha velha e azeda e restos de animais que não se aproveitam mais na cidade. Assim, num aglomerado de pessoas famintas, não demorou a surgir uma peste que os estudiosos suspeitam ter sido cólera devido à falta de saneamento básico, água suja e pouca, e alimentos insuficientes e de má qualidade.

Devido a essa peste morriam muitas pessoas por dia, e na falta de covas suficientes e de humanidade dos organizadores do campo, foi adotado o sistema de enterramento em valas comuns, as quais eram cavadas todas as manhãs pelos próprios flagelados para receber todos os dias os corpos inertes e durante todo o dia. Nesse local após ter sido desativado o campo foi fixado um cruzeiro, para onde, ainda, hoje as pessoas fazem caminhadas, alimentando a lenda de que se colocar uma pedra junto a cruz e fizer um pedido será alcançado.

Próximo ao cruzeiro foi construído o Cemitério da Barragem, para onde é conduzida a romaria, ou como é conhecida popularmente a caminhada das almas,realizada,tradicionalmente,no segundo domingo de novembro, surgida em mil novecentos e oitenta e dois, numa idéia do Padre Albino Donati, na tentativa de resgatar o momento histórico vivido por milhares de retirantes na seca de mil novecentos e trinta e dois.

Apesar dessa, triste história de sofrimento e confinamento na barragem, há esperança que esta romaria ao Santuário da seca, que se perpetua por meio da religião e expõem fortes elementos culturais, seja incluída como acervo do patrimônio histórico imaterial dos cearenses, pelas autoridades competentes.

Mesmo tendo passado aquele período de glória de nossa economia, hoje, nossa cidade é destaque Regional, ostentando o título de capital cultural do Ceará, devido, sobretudo, a criatividade do nosso povo que expressa sua alegria de viver de diversas formas.

Tradicionalmente contamos com o brilho das nossas quadrilhas (Flor do Sertão e Coração Nordestino, que se tornaram destaques no Estado). Entre as festas populares temos: a Festa dos Caretas no Distrito de Engenheiro José Lopes, o Codiá de tradições, a festa do Reisado no Distrito de São Joaquim, as festividades carnavalescas, juninas, natalinas e da Padroeira Nossa Senhora das Dores. Contamos ainda com o talento dos nossos artistas e escritores da terra.

Enfim, ao comemorarmos a velhice tão menina dos cento e doze anos de existência da nossa terra mãe gentil, comparável ao do poeta Gonçalves Dias, lembramos não apenas da miséria na vila dos Ingleses, transformada num campo de concentração, mas das riquezas advindas das colheitas do algodão. Porque não foi o fracasso mais sim o progresso que sempre ostentou a estrada maior do nosso Município, mostrando a quem por estas terras passassem que Senador Pompeu é símbolo da identidade de um povo que a ergueu de ferro, concreto e sonhos suas avenidas.
NADJANARA LANDIM

EXCOMUNHÃO



Que nasças
Numa casa de taipa
Que passes fome
De noite e de dia
Que plantes inúmeras vezes
E haja seca
Todo ano, toda década
Todo século...

Que viva de esmolas
Que coma restos
Disputando com os porcos
Que durma e amanheça
Devendo favores
Que inveje urubus
E a escravidão...

Que viva de migalhas
Quando ir e vir
Que nunca saiba
O que é voto ou votar
Que os politiqueiros
Governem-te na infância
Na tua juventude, na velhice
Mesmo o teu túmulo

Que nasças agricultor
Analfabeto e sem terra
No Nordeste do Brasil
E que ninguém
Em toda a curvatura universal
Cumpra pior pena......
Poesia de Valdecy Alves
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