domingo, 6 de dezembro de 2009

MATÉRIA SOBRE LANÇAMENTO DO FILME: PADIM CIÇO SANTO OU CORONEL? EM SÃO PAULO

Com muito prazer logo que cheguei a São Paulo vi no Jornal Cruzeiro do Sul matéria sobre a exibição do documentário: PADIM CIÇO SANTO OU CORONEL? Que ocorreu em Itu, na noite de sábado, dia 05/12/2009. Por sinal um sucesso, seguido de um interessante debate. Experiência muito relevante. Abaixo matéria que divulgou o evento:


JORNAL CRUZEIRO DO SUL

MAIS CRUZEIRO - [ 05/12 ]


Documentário revela lado pouco conhecido do

Padre Cícero

José Antônio Rosa - Redação Cruzeiro do Sul
Notícia publicada na edição de 05/12/2009 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 3 do caderno D - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.

Para os milhares de devotos que fazem, todos os anos, a peregrinação a Juazeiro do Norte, ele foi, e sempre será, o santo. O sacerdote que, em 1889, no momento da comunhão, viu a hóstia entregue à beata Maria de Araújo sangrar. Já para quem se deu ao trabalho de pesquisar mais a fundo, a história do Padre Cícero Romão Batista, o “Padim Cícero”, símbolo maior da crença religiosa nordestina, assume contornos absolutamente distintos. Foi o que descobriu o escritor, cordelista e cineasta Valdecy Alves que exibe hoje, em Itu, o documentário “Padim Ciço - Santo ou Coronel?”. Para quem não conhece, Valdecy teve uma atuação importante na cena cultural sorocabana nas décadas de 80 e 90, antes de voltar ao Ceará, onde nasceu. A sessão está programada para as 19h, na Biblioteca Comunitária “Waldir de Souza Lima”. A entrada é gratuita.

Valdecy Alves não acredita que o projeto vá,

de alguma forma, abalar a convicção dos devotos

A produção do filme demandou dois anos de trabalho, período durante o qual Valdecy conversou com estudiosos, acompanhou duas das maiores romarias realizadas à cidade onde o personagem-título nasceu e, claro, colheu depoimentos dos fiéis. “Padim Ciço...” se propõe, conforme o seu diretor, a desmistificar a figura do líder religioso, e busca, também, esclarecer algumas passagens de sua biografia. Pontos controversos, como os milagres a ele atribuídos, as profecias e, sobretudo, a forte atuação política, são discutidos na produção.

Visionário, estrategista, dono de uma inteligência privilegiada e de um senso de oportunismo maior ainda, Padre Cícero soube usar o poder que sua posição lhe conferiu. Acumulou, em vida, riquezas com as quais praticou o assistencialismo.

Ajudou muitos sertanejos em momentos críticos, como na seca de 1915, a pior de que se tem conhecimento na região e que inspirou Raquel de Queiroz a escrever “O Quinze”, um de seus mais conhecidos romances. Alguns pesquisadores dizem que Cícero teria criado o precursor do programa “Fome Zero”. Valdecy endossa a opinião e garante que foi essa atuação junto aos mais necessitados que ampliou o prestígio do religioso a ponto de ele se tornar uma liderança inconteste.

Padre Cícero afrontou governantes, foi prefeito de Juazeiro por 20 anos, deu a Lampião a patente de capitão, para que o cangaceiro e seu bando combatessem a Coluna Prestes. Tanta ousadia fez com que a Igreja o suspendesse das atividades que desempenhava. Proibido de celebrar missas, Cícero não perdeu o contato com o povo que, curiosamente, continuou a apoiá-lo. Valdecy tem o religioso na conta de um “fenômeno sociológico”. “Só o primitivismo da sociedade da época explica que Padre Cícero tivesse conseguido manter a influência sobre o povo”, analisa.

A santidade de Padre Cícero resultava da vontade popular. “Não tem santo porque a Igreja manda, mas porque o povo quer”, filosofa o diretor. Carismático e também populista, o religioso recorria a alguns artifícios para comandar seu rebanho de seguidores. Entre tantas histórias que se contam a respeito, uma remete ao episódio do devoto que o procurou para reclamar que tinha sido roubado. Na missa que celebrou logo em seguida, Padre Cícero contou à assistência o ocorrido. Do altar, ordenou ao autor do roubo que devolvesse aquilo de que tinha se apropriado, sob pena de ser condenado a “arder no fogo do inferno”. Depois, mandou que a vítima procurasse o objeto em determinado lugar, o que acabou, mesmo, acontecendo, já que o ladrão estava na igreja e, com medo do pior, acatou a ordem.

Numa outra oportunidade, Cícero viajou aos Estados Unidos e lá conheceu “novidades” da tecnologia como o rádio e o avião. De volta ao Nordeste, “profetizou” aos devotos que, logo, o céu seria cortado por “pássaros barulhentos” e que “de uma caixinha de madeira” sairiam sons. Ele “previu”, ainda, a existência de um lençol freático sob o solo da região do Cariri. Um canal que faria a ligação com o oceano. Reforçou, assim, o que Antonio Conselheiro, líder da Guerra de Canudos, disse sobre “o sertão virar mar”.

“Padim Cícero...” não será exibido em festivais. Valdecy vai postar o filme na internet a partir de 20 de dezembro. Ele não acredita que o projeto vá, de alguma forma, abalar a convicção dos devotos. “Padre Cícero já tem seu lugar no coração do nordestino; não será uma produção artística, comprometida com a verdade, que irá mudar isso”.

Valdecy Alves

Valdecy Alves, cearense de nascimento, viveu em Sorocaba entre a década de 1980 a 1990, tendo uma importante atuação na cena cultural sorocabana juntamente com seu irmão Flávio Alves, com a criação de grupos teatrais; o jornal cultural ‘Pedaços‘, que divulgava poesias; intervenções artísticas de rua, edição de livros, produção de vídeos e ainda o Disque Poesia, projeto pioneiro na cidade, em que as pessoas ligavam para ouvir poemas, entre outros.

SERVIÇO:

Exibição do documentário “Padim Ciço - Santo ou Coronel?”. Hoje, às 19h, no Ponto de Leitura - Biblioteca Comunitária “Professor Waldir de Souza Lima”, à rua Floriano Peixoto, 238, Centro, Itu. Entrada gratuita. Outras informações: (11) 8445-6122/7599-4109 ou nos endereços www.comunateca.ning.com ewww.bibliotecacomunitaria.wordpress.com.

4 comentários:

andressa disse...

Parabéns, Dr. Valdecy por mais este brilhante evento que divulga e dissemina o fenômeno Padre Cícero em outras regiões do Brasil.

Robério Fernandes disse...

Em 2001 o então cardeal e prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Joseph Ratzinger (hoje papa Bento XVI,) reabriu o processo que trata sobre a suspensão de Padre Cícero. No ano seguinte recebeu a documentação de uma comissão interdisciplinar de estudos que sugere uma anistia 'post-mortem' do padre. É provável que a Igreja Católica venha perdoá-lo, talvez, por algumas conveniências.

Embora enquanto Cícero era vivo, o então padre do Seminário da Prainha de Fortaleza, o francês Pierre-Auguste Chevalier tenha dito que "Jesus Cristo não iria sair da Europa para fazer milagres no sertão do Brasil", como forma de negar o milagre atribuído ao vigário, em 2006 o bispo do Crato, Dom Fernando Panico, escreveu ao papa dizendo que "o Padre Cícero é um antivírus constra os evangélicos".

De fato, parece que a Igreja Católica precisa da religião e das liturgias populares que circundam o falecido padre, o que parece levar a dita igreja a rever o castigo imposto a Padim Ciço.

Tal posicionamento não é estranho à referida igreja. Há muitos séculos houve um papa que declarou oficialmente que seu antecessor não era santo. Posteriormente, morto o papa fez tal declaração, seu sucessor tornou a declarar santo aquele que havia sido anatematizado. Foi um verdadeiro vira e mexe.

Pelo visto o contexto histórico, tanto daquela época como o de agora, revelam que as conveniências é que prevalecem.

.

zelio junior disse...

VALDECY BOM SABER DO SEU BLOG, AMIGO TEMOS QUE CONVERSAR SOBRE NOSSA TERRA QUERIDA. UM GRADE ABRAÇO.

Luciane Costa e Silva disse...

Com certeza passando essa época de festas vou ler seu blog com calma. Vc parece que gosta de se expressar como eu. Então lá vai uma dica de uma plataforma pessoal gratuita,chamada "ning". Visite a minha e veja se te interessa fazer uma para migrar seu blog. Cadastre-se e divulgue, fico muito agradecida. Eu gostei porque tem muit mais recursos. http://energiaesustentabilidade.ning.com/

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