domingo, 11 de fevereiro de 2018

SENADOR POMPEU - CEARÁ – DA GLÓRIA À POBREZA - DO SEU NASCIMENTO A PARTIR DOS CICLOS ECONÔMICOS DO BRASIL COLONIAL – SUA DERROCADA A PARTIR DO FIM DO CICLO DA PECUÁRIA E DO ALGODÃO... QUE FUTURO ECONÔMICO PODERÁ TER? QUE NOVOS CAMINHOS TRILHAR? UMA REFLEXÃO ELEMENTAR... ANTES QUE AS DROGAS E A VIOLÊNCIA DEVOREM O QUE SOBROU DA CIDADE E SUA HISTÓRIA


Senador Pompeu do alto da Serra do Patu
Foto: Valdecy Alves

FATORES GEOGRÁFICOS E NASCIMENTO DE HUMAITÁ -  GRAÇAS AO CICLO DA PECUÁRIA QUE LEVOU À COLONIZAÇÃO DO CEARÁ: Senador Pompeu é uma cidade que nasceu dos fatores geográficos, localizada no centro do Ceará e local de encontro do Rio Banabuiú com o Rio Patu, que formam um só rio a partir de Senador.  O então gigante conhecido como Banabuiú, o maior afluente do Rio Jaguaribe, este o mais importante rio do Estado do Ceará.  Tão logo o Banabuiú recebe as águas do Patu, mais adiante recebe como afluente o Riacho do Codiá, que também dá nome a um dos mais importantes distritos de Senador Pompeu. Nessa mesopotâmia, no Brasil colonial, quando Senador Pompeu ainda fazia parte do Município de Quixeramobim, havia muita água e enorme capinzal exatamente no encontro das águas do Riacho do Codiá com o Rio Banabuiú. Lugar ideal para o gado de passagem para o Litoral e sertões do Piauí e  Maranhão, via Inhamuns.

O Rio Banabuiú é o  maior afluente do Rio Jaguaribe,  um dos caminhos para o gado na Era da Pecuária. Larga estrada, muitos poços de água, nos meses secos. No inverno local de descanso para o gado. Alimentação farta. Município privilegiado pela natureza, por ficar no centro do Ceará. Um rio estrada que vindo de Mombaça, ligava ao povoado que seria futuramente Quixeramobim, indo até Limoeiro do Norte, onde deságua no Jaguaribe, dali para o litoral até Aracati e ao mar. De Limoeiro do Norte, subindo o Jaguaribe até Icó e de Icó ao Crato, via Rio Salgado, outro importante rio afluente do Jaguaribe. Mas se continuar até a nascente do Rio Jaguaribe chega-se a Tauá e de Tauá se atravessa para os sertões do Piauí. Daí para o Maranhão, não sem antes dar de cara com o poderoso Rio Parnaíba, o outro São Francisco do Nordeste brasileiro.

Ginásio Nossa Senhora das Dores - Da Era de Ouro - Fechado -  Foto: IBGE

Ponto de encontro do Rio Banabuiú, Rio Patu e Riacho do Codiá... Nesse exato local, surgiu o arraial de Humaitá, a partir de uma casa de Fazenda. O nome Humaitá tratou-se de homenagem a um índio. Mais tarde da fazenda, do povoado de Humaitá, surgiu Senador Pompeu. Falta alguém para escrever a história dos índios que habitavam a região, antes da chegada dos criadores de gado. Os indígenas da região deixaram vários vestígios, nomes de locais, a denominação dos Rios e do arraial, sobretudo da região do Encantado, arte rupestre na Lagoa do Fofô e em várias outras localidades ao longo do Banabuiú. Eram os índios conhecidos por Tarairiús, ferozes, temidos e antropófagos. Na guerra por suas terras e cultura, aqueles que não fugiram da escravidão, foram mortos. As índias foram transformadas em amantes. Do estupro surgia a miscigenação. Senador Pompeu nasceu das cinzas do que pertenceu aos indígenas. Este lado da história ainda nas sombras.


Igreja de Senador Pompeu pela madrugada - Foto: Valdecy Alves
 O CICLO DA PECUÁRIA – A OCUPAÇÃO DO CEARÁ E O NASCIMENTO DE SENADOR POMPEU: Senador Pompeu tem suas origens no ciclo do gado, visto que em Pernambuco e na Bahia a maior parte das terras passaram a ser ocupadas pela monocultura da cana-de-açúcar, que fornecia o mercado da Europa. Assim, a partir do Cariri e utilizando os rios, escravizando os índios, massacrando-os... O Ceará finalmente foi colonizado do interior para o litoral. Diferentemente dos demais Estados do Nordeste. O gado criado não apenas alimentaria a população de Pernambuco e da Bahia, mais tarde alimentaria as populações das regiões da mineração do ouro, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, Rio de Janeiro, navios negreiros... Também do gado vinha o couro e o boi utilizado como tração animal. Fundamental lembrar que Senador Pompeu, como arraial, fazia parte de Quixeramobim. Depois com o desmembramento de Mombaça, antiga Maria Pereira, passou a fazer parte de Mombaça, só em 1896, Senador se tornaria cidade, desmembrando-se de Mombaça. Por isso, Senador Pompeu não é citada, até porque só viria a ser chamada de Senador Pompeu bem depois. No ciclo da pecuária, tudo que aconteceu em terras que hoje pertencem a Senador Pompeu é citado como Quixeramobim. Graças ao Rio Banabuiú, do qual, o Rio Quixeramobim é afluente. 


Caminhada da Seca - Cemitério do Patu - Campo de Concentração do Patu
Jornal O Povo de 1932 - Fotos: Autores diversos

 COM O FIM DA PECUÁRIA NO CEARÁ EM 1777 – A ECONOMIA DO CEARÁ E DO SERTÃO CENTRAL PASSOU A TER COMO PRINCIPAL PRODUTO O ALGODÃO: O fim do ciclo da pecuária no Ceará não levou à miserabilização, porque foi substituído pelo ouro branco, o algodão, a cotonicultura, há muito cultivado pelos índios. Assim, Senador Pompeu, que nasceu na Era do Gado, continuou a desenvolver-se com o ciclo do algodão. Com a chegada do trem a Senador Pompeu, em 1900, o município passou a ser não apenas o principal ponto de escoamento da produção algodoeira do Sertão Central para o mercado internacional a partir de Fortaleza, como também o local a que chegavam as mercadorias para abastecer toda a região do Sertão Central. Atingindo grande progresso. A ponto de em 1931, Mombaça, de onde se desmembrara Senador Pompeu, passar a ser distrito de Senador juntamente com Pedra Branca. Assim, o Ciclo da Pecuária e o Ciclo do Algodão foram fundamentais para o nascimento e progresso do Município. O ciclo do algodão perduraria até a segunda a metade do Século XX. Por sua feita a linha férrea foi completamente desativada, após o fim da cultura algodoeira. Levando a cidade ao quase aniquilamento, por sua miserabilização quase absoluta. Reduzida a farrapos uma vez comparada ao que foi no se auge econômico. Seu PIB em grande, nos dias atuais, parte se deve ao pagamento de aposentadorias de agricultores e bolsa família. A maioria delas igual ao salário mínimo, a mais baixa de todos. Bolsa família só para os miseráveis. De um povo de trabalhadores, produtores de riqueza, a um quinto da população vivendo de esmolas, que se transformou em focinheira e coleira nas mãos da maioria dos políticos, em grande parte políticos profissionais, não políticos humanistas ou compromissados com os valores republicanos. 



Hospital que era um hospital - Da Era de Ouro - Fechado - Foto: IBGE

A ECONOMIA DO CEARÁ SEMPRE INFLUENCIADA PELA POLÍTICA ECONÔMICA COLONIAL DE ABASTECER O MERCADO EUROPEU – FRUTO DE FATORES INTERNACIONAIS AINDA PREJUDICADA PELAS SECAS NO CASO DO CEARÁ: O Brasil colonial foi prioritariamente utilizado por Portugal para produção agrícola e de minérios para abastecer o mercado europeu. Assim, com o início do Ciclo do Açúcar, a necessidade de plantar mais cana, deslocou a criação do gado para outras regiões, incluindo o Ceará, na época território de Pernambuco, utilizando-se os seus grandes rios. Nessa expansão um dos arraiais que surgiram, a partir de uma fazenda, foi o de Humaitá, hoje Senador Pompeu, devido ao Rio Banabuiú no local. Um dos maiores e mais importantes da bacia hidrográfica do Ceará. Assim, a relação da monocultura da cana-de-açúcar em Pernambuco com a demanda na Europa provocou a colonização do Ceará. Por tabela o nascimento de Senador Pompeu.

Estação Ferroviária de Senador Pompeu - Era de Ouro - Anos 50
Foto: IBGE

Lógico que no dia que a demanda por açúcar brasileiro deixasse de existir todo esse ciclo seria interrompido. Mas não bastasse depois o fim da era da cana-de-açúcar, terríveis secas colocaram fim ao rebanho bovino no Ceará, a exemplo da Seca dos três sete (1777/1780). Depois, com o ciclo do algodão, incrementado depois com a guerra civil nos Estados Unidos, a partir de 1861, que deixou de exportar algodão para Europa, o Ceará com outros Estados do Nordeste, passou a fornecer tal matéria prima. Assim, a cultura do algodão substituiu a do gado. Senador Pompeu chegou a ter várias usinas de algodão. Com o fim da cultura algodoeira, faltou aos políticos locais, encontrar alternativa econômica. Município como Crato, Iguatu, Quixeramobim, Quixadá... conseguiram fazer a transição para outras opções econômicas. Mas Senador Pompeu entrou em franca decadência não apenas com a perda da importância como ponto de escoamento da produção agrícola, como local de chegada das mercadorias importadas para o Sertão, devido ter sido isolado da Estrada do Algodão. Para piorar, ainda perdeu toda plantação de algodão, fim da linha férrea, fechamento de bancos, fechamento de escolas, partida em massa dos empresários que tinham vindo na era da riqueza, apenas em busca de riqueza. Poucos formaram raízes com o Município, que pudessem proteger e chamar como "minha terra". Na era da glória... O COMEÇO DO FIM.



Usina de algodão Sanbra - Fotografada da Estação Ferroviária
Foto: Valdecy Alves


Pois vítima, sobretudo da cultura colonial, de Portugal colocar o Brasil sempre à mercê da necessidade do mercado europeu. Bastando cessar tal demanda, seja qual for a causa, bastando que o fim de recursos ou fenômenos climáticos ocorram, para cidades, para regiões inteiras do Brasil  passar da riqueza absoluta à miséria extrema.  Da abundância aos farrapos... Fenômeno econômico, que desprezado pelos políticos de Senador Pompeu do passado, por ignorância, por politicagem, por incompetência ou por viver em tiroteios, como Zequinha das Contendas, disputando poder... impediu que conduzissem o Município para transição econômica salvadora, encontrando novo produto, nova riqueza a produzir, que evitasse a derrocada geral, num verdadeiro efeito dominó. Assim da glória á miséria... de receber imigrantes a exportar mão de obra para Fortaleza, Norte e Sul do país. Ainda teve a questão da seca em 1919,   de não conclusão da Barragem do Patu nos anos 20, para piorar. Em 1932 a grande seca e o Campo de Concentração do Patu, que deu a Senador Pompeu, na época, o apelido de Curral da Fome. Dado pelo povo de Mombaça,  cheio de ódio, pois na época tinha sido rebaixada a distrito de Senador.



O ETERNO DESAFIO TEM SIDO ENCONTRAR UMA CULTURA QUE PRODUZA RIQUEZA ECONÔMICA COMO PRODUZIU A ERA DA PECUÁRIA – O CICLO DO ALGODÃO OU A DECADÊNCIA COM O ANIQUILAMENTO TOTAL  DA CIDADE SERÁ O FUTURO... ISSO  SE ESCAPAR ALGUÉM DA DROGA OU DA VIOLÊNCIA ATUAL ATERRORIZANTE: Como os políticos não fizeram a transição com o isolamento da cidade da Rodovia do Algodão, com o fim do ciclo do algodão e fechamento da linha férrea... a cidade retrocedeu economicamente, politicamente, socialmente. Hoje uma das mais violentas do Ceará e do Brasil... Da era da esperança ao terror do desespero e da desgraça... com a chegada de facções que adotaram os deserdados, pobres e órfãos da exclusão social, que recua à Era do Gado. Recebeu algumas indústrias, que minoraram o processo de miserabilização. Mas nada que possa ter substituído a Era do Gado e o Ciclo do Algodão.






CONCLUSÃO: O caminho é o de encontrar uma nova riqueza econômica para o Município. Sem dúvida que o turismo é uma alternativa, a agricultura irrigada e a piscicultura, quando cheio o Açude do Patu, outra... plantação de culturas que convivam bem com o semiárido, reativar a linha férrea, lutar pela abertura de faculdades e escolas que eleve o Município à condição do polo educacional... e o uso da nossa maior riqueza... do seu maior recurso... sol o ano inteiro... e mais sol ainda nas secas... PARA PRODUÇÃO DE ENERGIA SOLAR.  A ENERGIA DO FUTURO. Sugestões que deixo para ao prefeito Maurício Pinheiro e seus sucessores e sucessoras. Eis o desafio político... fazer renascer a riqueza econômica... para voltar aos tempos de glória... para atrair empreendedores... fixar o povo... atrair imigrantes... e num efeito dominó... melhorando a realidade social... fazendo evoluir a realidade política... empregando... gerando oportunidades... diminuindo a quantidade de deserdados e excluídos... uma das causas da violência extrema e da perda de esperança no futuro. A redenção e o renascer de Senador Pompeu passa pelo seu renascimento econômico... desconectado umbilicalmente de fatores externos... para que tenha real autonomia e possa evoluir de forma planejada, consciente, segura e firme. SEM PERMISSÃO PARA RETROCESSOS POLÍTICOS, ECONÔMICOS E SOCIAIS.

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