domingo, 4 de maio de 2014

SEMINÁRIO SERTÃO- SECA - MEMÓRIA E CIDADANIA - CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO NUNCA MAIS! EM SENADOR POMPEU - CONSEGUIU LEVAR O TEOR DO SEU DEBATE - PRESERVAR PATRIMÔNIO MATERIAL E IMATERIAL PARA CIDADANIA - PARA MILHARES DE PESSOAS! FOI UM ÊXITO!

Dra. Mara Paula abrindo o seminário com o tema
Sertão - Seca - Memória e Cidadania
Campos de Concentração Nunca Mais
Fotos: Mara Paula - Valdecy Alves
 Na manhã de sábado, dia 03/02/3014, teve o início o Seminário: SERTÃO - SECA - MEMÓRIA E CIDADANIA - Campos de Concentração Nunca Mais! No Centro Pastoral, em Senador Pompeu (CE). Evento alternativo realizado pela sociedade civil organizada em parceria com a Paróquia Nossa Senhora das Dores. 

CONSISTIU EM DEBATES PELA PARTE DA MANHÃ, ENTREVISTAS COM OS DEBATEDORES EM RÁDIOS LOCAIS, PARA TODA COMUNIDADE TER ACESSO AO TEOR DO SEMINÁRIO, VISITA DOS DEBATEDORES AOS CASARÕES DO CAMPO DE CONCENTRAÇÃO E À NOITE, EXIBIÇÃO DE DOIS DOCUMENTÁRIOS, SOBRE O CAMPO DE CONCENTRAÇÃO DO PATU E A CAMINHADA DA SECA, QUE SE REALIZA TODO ANO, NO SEGUNDO DOMINGO DE NOVEMBRO.

                                                                                              
Dr. Valdecy  Alves Palestrante da primeira mesa
 A primeira mesa debateu sobre: A RELIGIOSIDADE E A PRESERVAÇÃO DA MEMÓRIA. Tendo como palestrante o Dr. Valdecy Alves e debatedores: Glauber Matos, representante da Fundação Santa Terezinha e Micaelly, representante do Centro de Defesa de Direitos Humanos Antonio Conselheiro. A palestra percorreu o seguinte roteiro:  1)    Em Senador Pompeu foi a memória oral através da santificação das Almas da Barragem Martirizadas, a religiosidade, a maior responsável por manter viva a história do Campo de Concentração do Patu – da Seca de 32. Depois os casarões – Sebastianismo e Milenarismo;  2)    Exemplos similares do poder da religiosidade na preservação da memória: Ceará: Beato Lourenço e Padre Cícero; Nordeste: Canudos;  Mundo: Coliseu e os tesouros do Vaticano; 3)    Padre Albino e a Caminhada da Seca; 4)    Padre João Paulo e a documentação foto/literatura; 5)    Padre Carlos Roberto e a luta popular; 6)    O futuro – a preservação do patrimônio material e imaterial com a luta da participação popular e da religiosidade; 7)    A religiosidade como patrimônio cultural imaterial paralela ao patrimônio material e fundamental para cidadania, a identidade e a efetivação dos direitos fundamentais ligados ao mínimo existencial e à dignidade da pessoa humana.

1ª MESA: Glauber Matos - da Fundação Santa Terezinha em Debate
Público atento ao debate - De óculos ao fundo: Vereadora Lúcia Aquino

1ª MESA: Micaelly- do Centro de Defesa dos Direitos Humanos Antonio Conselheiro

Formação da segunda mesa tendo como palestrante a estrela do seminário: PROFESSOR HUMBERTO CUNHA
Cobrindo o evento: Reginaldo Araújo

A segunda mesa, a mais esperada em virtude da presença do Dr. Humberto Cunha teve como tema: PATRIMÔNIO MATERIAL - PRESERVAÇÃO E DIREITOS FUNDAMENTAIS. Como debatedores da mesa o Dr. Tércio Aragão, estudioso da obra de Shakespeare e Fram Paulo, Documentarista, cineasta e militante social.  A palestra do Dr. Humberto Cunha seguiu o seguinte roteiro:1) A cultura na atual Constituição Federal, a mais cidadã de todas constituições; 2) A definição de patrimônio cultural conforme a Constituição; 3) A função do Poder Público em se tratando da preservação; 4) A importância da participação da sociedade na preservação do patrimônio cultural; 5) como os ditadores agem quanto à preservação do patrimônio cultural; 6) A definição de patrimônio cultural; 7) A diferença entre patrimônio cultural material e imaterial; 8) Como deve ser visto o patrimônio representando pelos casarões do Campo de Concentração do Patu e sua parte Imaterial; 9) A importância da preservação para o exercício pleno da cidadania.

Professor Humberto Cunha - No Momento da Palestra
 Professor Humberto Cunha teve variada plateia: escritores, atores, humoristas, estudantes, adultos, idosos, crianças, religiosos, representantes de ONG's, militantes culturais diversos. Merecendo destaque a presença das crianças da comunidade de Engenheiro José Lopes, que por conta própria estão preservando e ocupando a estação ferroviária local. Um verdadeiro exemplo da importância  da participação da comunidade, que por si só deixa claro que não há melhor tombamento que a consciência da comunidade e a ocupação de um prédio a ser preservado por aqueles para quem o bem a ser preservado é importante.
Todos atentos na busca de melhor compreensão sobre o tema abordado

Uma experiência em que todos compartilharam reciprocamente

Dr. Tércio Aragão dando início ao debate da 2ª Mesa
 Dr. Tércio Aragão dá início ao debate da segunda mesa, observando que apesar do fato ser terrível: CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO! É necessário preservar e compreender, pois assim a memória dissecada, permitirá concluir que nunca mais, nas políticas das secas no Brasil, serão aceitas experiências similares à que ocorreu em Senador Pompeu no Campo de Concentração do Patu, na seca de 32.  

Por fim, dirigiu-se ao palestrante solicitando que fizesse uma clara distinção entre o que seja PATRIMÔNIO MATERIAL e PATRIMÔNIO IMATERIAL.


Fram Paulo - Dando continuidade ao debate da 2ª Mesa
O debatedor Fram Paulo fez uma reflexão sobre o papel do Poder Público quanto às políticas culturais de preservação do patrimônio cultural material e imaterial. Concluindo que o Poder Público, em todos os níveis: municipal, estadual e federal, não apenas é omisso quanto à efetivação da preservação, COMO É O MAIOR VIOLADOR QUANTO A PRESERVAR.  A parte da manhã do seminário foi concluída por volta do meio-dia. 

Equipe organizadora do I Seminário Sertão - Seca - Memória e Cidadania - Campos de Concentração Nunca Mais!
Da direita para esquerda: Karla Samara - Fram Paulo - Valdecy Alves - Mara Paula

     CAMPO DE CONCENTRAÇÃO DO PATU – HISTÓRICO
DATA
NÚMERO DE FLAGELADOS
25/04/32
  6.000
04/05/32
13.600
20/05/32
18.000
25/05/32
19.686
                                                                                                             Fonte: Jornal O Povo – Pesquisa: Valdecy Alves


A ideia dos organizadores é realizar o evento no primeiro sábado após o dia do trabalho de todo ano, doravante. JÁ QUE O CAMPO DE CONCENTRAÇÃO FOI CRIADO NA SEMANA DO DIA DO TRABALHO, ATRAINDO-SE OS MILHARES DE TRABALHADORES FLAGELADOS, SUPOSTAMENTE PARA TRABALHAREM NA RETOMADA DA CONSTRUÇÃO DO AÇUDE DO PATU. O QUE ERA UMA ARMADILHA. POIS ERA PRA SER APRISIONADOS NO PRIMEIRO CAMPO DE CONCENTRAÇÃO DO PATU, EM SENADOR POMPEU. DEPOIS VEIO O CAMPO DE BURITI NO CRATO E ASSIM POR DIANTE.  NA SEMANA UNIVERSAL DO DIA DO TRABALHO EM 32, NO NORDESTE, O TRABALHADOR ERA TRANSFORMADO EM CONCENTRADO. Abaixo o manifesto com a justificativa da criação do seminário realizado:

Debater sobre o Campo de Concentração do Patu de Senador Pompeu, que foi criado do final de abril a 10 de maio de 1932.  Em meio a isso a comemoração do dia do Trabalhador, 01 de maio de 1932, já foi com milhares de flagelados concentrados. Presos. Sem o direito de ir e vir. Sem o mínimo de dignidade. Sem condições higiênicas, sem alimentação suficiente. Na mais plena miséria. Tanto que por conta disso, Senador Pompeu ficou conhecida como “o curral da fome”. Os flagelados foram atraídos com promessa de que seriam empregados na obra de construção da Barragem do Patu, que fora suspensa desde 1919. Quando abriram as inscrições para os flagelados se alistarem no dia 25/04/32, só no primeiro dia, foram 6.000 inscritos.  Em 20/05/32 já eram mais de 18.000 flagelados. Não havia obra nenhuma. Nem trabalho. Presos e amontoados como gado. Humilhados. Encontraram a morte, foram dizimados pelo cólera. Enterrados no Cemitério da Barragem. Lugar tido como santo e sagrado. Um genocídio lembrado pela anual Caminhada da Seca. Necessário debater tal fato. Necessário que não se repita. Necessário entender o que levou a tal tragédia e compreender a tragédia e suas causas. Para que se acerte no presente e se melhore o futuro. A preservação da memória, do patrimônio material (casarões) e imaterial (poder das almas da barragem- outros) é um trampolim seguro para fortalecer a identidade do povo de Senador Pompeu, do Ceará, do Nordeste e do Brasil. Debatendo o Sertão, a política das secas e das águas, a importância de preservar a memória, para a efetivação da mais plena cidadania, que é impossível quando não se garantem os direitos humanos fundamentais e o mínimo existencial de cada pessoa pelo Poder Público. A ideia é realizar o Seminário sempre todo primeiro sábado de maio de todo ano, próximo ao dia do trabalho, quando trabalhadores foram condenados à morte num Campo de Concentração, que macula a história das políticas públicas e do Estado Brasileiro, que tem como essência precípua, promover o bem de todos e a Justiça Social. A ideia é promover o evento todo ano, no primeiro sábado logo após o dia do trabalho. Tendo como convidado de honra o professor e Dr. Humberto Cunha.

03 de maio de 2014 – 82 anos após a Seca de 32
Manifesto do Grupo de Realizadores do Evento


ABAIXO MAIS FOTOS DO EVENTO:


Vereadora Lúcia Aquino lamenta que mais vereadores não tenham comparecido ao evento

Humorista Carlos fazendo indagações

Radialista e blogueiro Walter Lima falando sobre o evento e sobre o
Documentário que será lançado sobre o Rio Banabuiú

Momento de encerramento dos debates pela aprte da manhã

Debatedores próximo ao banner oficial do evento

Visita ao Cemitério da Barragem do Campo de Contração de 32
Conhecido como Santuário da Seca

Professor Humberto Cunha em frente ao Cemitério da Barragem

Visita ao Casarão Principal do Campo de Concnetração


Debate sobre preservação do patrimônio material e imaterial na Rádio Sertão Central
Importância do Campo de concentração de 32
Radialista debatedor: Júnior Holanda

Debate sobre preservação do patrimônio material e imaterial na Rádio Sertão Central
Importância do Campo de concentração de 32

Debate sobre preservação do patrimônio material e imaterial na Rádio AM Patu
Importância do Campo de concentração de 32
Radialista debatedor: Walter Lima
Após exibição dos documentários à noite
Muitos se despediram do Professor Humberto Cunha



Mara Paula e Karla Samara - Da organização e produção do seminário



ABAIXO OS DOIS DOCUMENTÁRIOS EXIBIDOS NA NOITE DE SÁBADO QUE PODEM SER ASSISTIDOS BASTANDO CLICAR NA IMAGEM:









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